Conhecendo Alguns Radioamadores

Por: CARLOS GOODA LACOMBE - Sb-1AC, PY1AC

CARLOS GOODA LACOMBE - Sb-1AC, PY1AC

Engenheiro contemporâneo de Gustavo Corção (1897 - 06.07.1978, pioneiro no Brasil da Engenharia Eletrônica e da Indústria de equipamentos de Telecomunicações), Eng. José Jonotskoff de Almeida Gomes (Bz-1AA, Sb-1AA e posteriormente PY1AA), Edgard Roquette-Pinto (Sb-1AG), Gen. Amaro Soares Bittencourt (Sb-1BY), Vasco Abreu (Sb-1AW), Lívio Gomes Moreira (Bz-1M, SQ-1, Sb-1IG e PY5AG), Prof. Manoel Antônio de Souza (RGT, BZSQI, Bz-1AT, PY1AT e PY1FF), Gen. Americano Freire e outras figuras de renome da técnica nacional, foi um dos pioneiros radioamadores do Brasil. Antes de dedicar-se ao estudo do rádio, Carlos Gooda Lacombe realizou diversas tarefas no setor da engenharia, tais como a pavimentação da Avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro-RJ, levantamento topográfico de extensa região em Mato Grosso, montagem de laboratórios científicos e experimentais, etc. Nessas atividades, veio a travar contato com técnicos estrangeiros em serviço no Brasil, inclusive um norte-americano que aqui efetuava experiências científicas para o seu país. Através dessa convivência, que durou cerca de um ano, e com o auxilio do saudoso José Jonotskoff de Almeida Gomes, Carlos Lacombe conseguiu montar seu primeiro rádio-receptor de ondas curtas. Depois de muitas "corujadas" e ajustes, num determinado dia de 1923, Lacombe logrou escutar a célebre estação NKF, do Laboratório Experimental da Marinha dos Estados Unidos, então dirigido pelo Engenheiro A. Roythe Taylor.

Este, durante as transmissões, pedia aos ouvintes que mandassem notícias de como eram recebidos os sinais daquela transmissora. Carlos Gooda Lacombe, em constantes cartas, acusava os sinais e, dessa correspondência, veio a travar relações com o Engenheiro Taylor, do qual passou, também, a receber orientação sobre as experiências, estudos e outros detalhes de grande valia para os experimentadores - José Jonotskoff de Almeida Gomes, Álvaro S. Freire (Bz-1AB, Sb-1IB) Lucas, Cardoso, Sousa, etc. Aperfeiçoado o receptor, passaram a ouvir igualmente estações da Europa, apesar das sérias dificuldades existentes, pois em nosso país era proibido instalar-se antena ligada a um simples receptor de galena! Esse "crime" redundava em apreensão do material e prisão do seu possuidor! Mesmo assim, aqueles moços de então não se deixaram abater, porque acreditavam (e não se enganaram) nos dias vindouros em que o campo das experiências ficariam totalmente livre aos estudiosos. E assim foi. Ao embarcar em viagem de férias para a Europa, vários colegas (companheiros das "criminosas experiências") foram se despedir dele. Ali também estava o então Diretor dos Telégrafos, e o Eng. Carlos Gooda Lacombe aproveitou para uma investida: "O Sr. está vendo aquele grupo? São todos experimentadores de rádio. São, como eu, clandestinos e por tal perseguidos pelas autoridades. Não fazem nada de mal, muito ao contrário, estudam rádio e procuram desenvolver conhecimentos técnicos úteis ao País. Por que essa perseguição?" Admirado de ver a quantidade de "clandestinos" o Diretor dos Telégrafos disse ao Eng. Carlos Lacombe que assim que regressasse da viagem fosse procurá-lo.

Apesar disso, somente dois anos depois do regresso o Eng. Carlos Gooda Lacombe e seus companheiros obtiveram permissão para continuar suas experiências. Diante dessa semi-oficialização, dada em caráter particular pelo Diretor dos Telégrafos, passaram a usar prefixos que eles mesmos se outorgavam e, à proporção em que novos adeptos surgiam, os colegas indicavam o prefixo a usar. Entre os colegas do Eng. Carlos Gooda Lacombe estavam Lívio Gomes Moreira (Bz-1M, SQ-1, Sb-1IG e PY5AG), Eng. José Jonotskoff de Almeida Gomes (Bz-1AA, Sb-1AA e PY1AA), Walter Freire, Jorge Novais Banitz, Leonardo V. Jones Júnior (Sb-2AA), Dr. Henrique Dolbert Lucas, João Ramos Baccarat (Sb-2AJ), Carlos Baccarat (Sb-2AK), etc. Daí, sentiram a necessidade de se constituírem em torno de um clube que pudesse representá-los perante as autoridades dos Telégrafos, a quem deviam a inicial autorização, sendo fundando um grupo em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Duas sociedades de radioamadores, portanto. Posteriormente, por conveniências próprias, houve a fusão numa só entidade que manteve o nome da primeira a ser fundada em São Paulo, que é a atual LABRE - Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão.

Por ocasião da memorável assembléia dos radioamadores, ocorrida a 2 de fevereiro de 1934, no Rio de Janeiro-RJ, quando se processou a fusão da Rede Brasileira de Radioamadores com a Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão, fundando a atual LABRE, o Eng. Carlos Gooda Lacombe foi quem apresentou a chapa da diretoria, que foi vitoriosa, aprovada por unanimidade, eleita por aclamação. Carlos Lacombe disse na ocasião que encontrava-se ali com a missão de apresentar a chapa, organizada de comum acordo com o máximo critério por comissões especiais da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão e da Rede Brasileira de Radioamadores, a qual deveria gerir os destinos da nova LABRE. Em 17 de abril de 1925, o Engenheiro Carlos Gooda Lacombe, na França, em Paris, representou o Brasil na memorável reunião plenária, sob a presidência do Sr. Edouard Belim, presidente do Rádio Clube Francês, com a presença de 22 delegados representando seus países, quando foi aprovado, por unanimidade, os Estatutos da International Amateur Radio Union - IARU.