Conhecendo Alguns Radioamadores

Por: JARBAS GONÇALVES PASSARINHO – PY8CV

JARBAS GONÇALVES PASSARINHO – PY8CV

O coronel da reserva do Exército Jarbas Gonçalves Passarinho, um dos homens públicos mais experientes do país, também se dedicava ao radioamadorismo, detentor do Indicativo de Chamada PY8CV, nasceu em Xapuri, Acre, em 11 de janeiro de 1920. A carreira política de Passarinho iniciou-se aos 15 anos, em Belém do Pará, quando se elegeu presidente do grêmio estudantil. Em Porto Alegre cursou a Escola Preparatória de Cadetes, depois formou-se oficial na Escola Militar do Realengo, Rio. Passarinho sempre ocupou posições chaves durante o regime instalado em 1964, do qual participou da articulação. Não considera que o regime foi militar, “mas presidido por generais, que vinham em nome dos militares e se associaram aos tecnocratas”. Castelo Branco nomeou-o governador do Pará em 1964, cargo que largou para disputar uma vaga ao Senado em 1967. Em 1966 passou à reserva do Exército no posto de coronel. Por não ter chegado ao posto de general, perdeu a oportunidade de concorrer à Presidência do Brasil. Quando o presidente Costa e Silva ficou doente, o nome de Passarinho foi sondado para substituí-lo, mas o general Orlando Geisel, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, reagiu: “Eu não bato continência para coronel!” O general gaúcho, bageense Emílio Garrastazu Médici foi o escolhido.

Vários ministérios foram ocupados por Passarinho: Trabalho e Previdência Social no governo Costa e Silva, Educação e Cultura no de Médici e da Previdência Social no governo Figueiredo. Em 1975 reelegeu-se senador. Nesse mandato ocupou a liderança do governo entre 1979 e 1980 e a presidência da casa no biênio 1981/82. Passarinho protagonizava debates de alto nível de oratória com o então líder do MDB, senador Paulo Brossard. Quando foi ministro do Trabalho e um dos signatários do Ato Institucional número 5, durante o governo Costa e Silva, Passarinho agiu sem concessões em relação aos trabalhadores. Em julho de 1968, quando os operários de Osasco iniciaram as primeiras greves de contestação ao regime militar, ele interveio em sindicatos e mais de cem dirigentes sindicais foram destituídos, alguns deles cassados. Na ocasião, proferiu uma frase que resumia seu pensamento: “O Tietê não é o Sena”, numa referência à explosão do movimento estudantil em Paris. Em 1982, não se reelegeu, mas voltou ao Senado em 1986. Em outubro de 1990, aceitou o convite do ex-presidente Fernando Collor para ocupar a pasta da Justiça e ficar responsável pela coordenação política do governo. Hoje, com seus 90 anos de idade, reside em Brasília.