Padre Roberto Landell de Moura - HOMEOPATA

Por: Ronaldo Bastos Reis - PS7AB

BRASILEIRO É O VERDADEIRO PIONEIRO DA RADIODIFUSÃO MUNDIAL

O dia 30 de junho de 2007 marcou o septuagésimo nono aniversário da morte do cientista e inventor gaúcho Roberto Landell de Moura, o pioneiro mundial na transmissão da voz utilizando o rádio, ou seja, o precursor da radiodifusão. Landell de Moura desenvolveu seus estudos e experiências, principalmente em São Paulo, a partir de 1893 e, comprovadamente, efetuou pelo menos uma demonstração pública naquela cidade no ano de 1900, além de possuir patentes de seus inventos registrados no Brasil (1901) e nos Estados Unidos (1904). Marconi, o grande cientista italiano, em 1895, conforme se verifica em suas patentes e na biografia oficial, foi o primeiro a conseguir transmitir somente sinais em telegrafia (código Morse, ou CW) utilizando o rádio, não tendo se interessado (ou conseguido?) transmitir a voz humana até o ano de 1910.

Uma certa confusão entre os trabalhos desenvolvidos no final do século passado pelos dois cientistas, certamente tem levado as autoridades e a comunidade científica brasileira a não reconhecer e, conseqüentemente, divulgar a obra de tão ilustre brasileiro. A vitoriosa experiência pública realizada por Landell de Moura, em 1900, foi assim noticiada pelo Jornal do Comércio de 10 de junho de 1900: “No domingo próximo passado, no Alto de Sant´Anna, cidade de São Paulo, o Padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção, no intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço (...), as quais foram coroadas de brilhante êxito (...). Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, o Sr. P.C.P. Lupton, representante do governo britânico, e sua família” .

Tal carta demonstra também que Landell de Moura já poderia ter perdido as esperanças de conseguir apoio do governo brasileiro para continuar seu trabalho...

Observem que o artigo no Jornal do Comércio foi escrito dias após a experiência pública efetuada por Landell de Moura. Os biógrafos de Landell de Moura, baseados nas anotações deixadas por ele, afirmam que ele já possuía os conhecimentos técnicos e meios para colocar em prática seus inventos pioneiros, inclusive o rádio, que utilizava alguns princípios diferentes dos inventados por Marconi. Garantem também, conforme depoimentos prestados por pessoas que conviveram com Landell de Moura, que em 1894-5 foram feitas demonstrações públicas (ainda não comprovadas) de seus inventos. Não consta que as pesquisas efetuadas até hoje sobre os feitos de Landell de Moura tenham englobado jornais editados entre 1894 e 1900, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Mogi das Cruzes e Porto Alegre. Tal pesquisa pode revelar que Landell de Moura, inclusive, tenha testado com êxito a transmissão de sons, via rádio, antes de Marconi. É indiscutível que a demonstração pública noticiada em 1900 destinava-se a provar ao cônsul britânico a viabilidade dos aparelhos inventados por Landell de Moura, pois, dias depois, ele dirigiu, através do cônsul, carta ao Governo Britânico oferecendo seus inventos. Não se tem registro de resposta.

Tal carta demonstra também que Landell de Moura já poderia ter perdido as esperanças de conseguir apoio do governo brasileiro para continuar seu trabalho. Em 1903, Arthur Dias, em seu livro “Brazil Actual”, faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte: “...logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento - transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 quilômetros, sem necessidade de fios metálicos. Após alguns meses de penosos trabalhos, obteve excelentes resultados com um dos aparelhos construídos...” Numa época em que para a maioria da população era incomum se conciliar ciência e religião, Landell de Moura, como padre, mesmo sem restrições pela Igreja aos seus experimentos, encontrou, certamente, resistências por parte do Governo e Sociedade em geral, para comprovar suas teorias revolucionárias. Landell de Moura dividia o tempo entre os afazeres do sacerdócio e suas experiências, efetuadas em improvisados laboratórios que ele montava nos fundos das paróquias em que trabalhava. A Igreja Católica, em vida, promoveu-o merecidamente até atingir o importante grau de Monsenhor, bem como concedeu, em 1901, permissão especial de Roma para que ele viajasse aos Estados Unidos, o que era difícil na época, lá permanecendo quatro anos para patentear seus inventos. Obviamente, a Igreja apoiava o seu trabalho como cientista.

As anotações deixadas por Landell de Moura foram alvo de minucioso estudo realizado pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da TELEBRÁS (que - diga-se de passagem - leva o seu nome), tendo se concluído pela validade de suas teorias. Em 7 de setembro de 1984, em Porto Alegre, após um magnífico trabalho de reconstrução executado por engenheiros e técnicos gaúchos, foi feita com êxito uma demonstração pública utilizando-se uma réplica do rádio usado à época por Landell de Moura. O rádio encontra-se atualmente na FEPLAM, em Porto Alegre, e os originais das anotações deixadas por Landell de Moura, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Landell de Moura, inventor e cientista que desenvolveu suas experiências em nosso país, com parcos recursos técnicos e financeiros, estranhamente, até hoje, é um ilustre desconhecido da maioria absoluta do povo, governo e comunidade científica brasileira. É provável que ele seja o primeiro brasileiro a possuir patentes internacionais.

Diante de tão vasta comprovação técnica existente sobre o pioneirismo de Landell de Moura, cabe ao Governo Federal, à ANATEL, e à comunidade científica, reconhecer oficialmente a obra desenvolvida por Landell de Moura. Os gaúchos, tão zelosos em resguardar suas tradições culturais, feitos e personagens históricos, têm, quase que por obrigação, continuar lutando pelo reconhecimento de tão ilustre filho. Num país tão carente em apoiar e desenvolver sua produção técnica e científica, deixar de prestigiar a obra de Landell de Moura é desperdiçar a oportunidade de reconhecer os feitos e a glória de um dos grandes gênios brasileiros.