OS INVENTOS DO SÁBIO PADRE ROBERTO LANDELL DE MOURA

Por: Luiz Netto

OS INVENTOS DO SÁBIO PADRE ROBERTO LANDELL DE MOURA

A Revista “Ciência Popular”, que era distribuída para todo o Brasil, e tinha a Administração e Redação na Rua Marquês do Paraná, 10 - Flamengo, Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em exemplares de 1949 e de 1950, publicou uma esplêndida monografia do escritor gaúcho Ernani Fornari, acerca do ilustre inventor Padre-cientista Roberto Landell de Moura, cujo nome um dia será registrado em lugar merecido, entre os grandes pesquisadores que tornaram possível a telefonia sem fio, a telegrafia sem fio e a televisão, os pioneiros do campo da eletrônica. Publica a revista, devidamente traduzida, o que se escreveu nos Estados Unidos, quando o Padre Roberto Landell de Moura deu a conhecer seus inventos. É uma documentação que faz fechar a boca daqueles quando achavam que o sacerdote rio-grandense talvez fosse mesmo um louco e os seus projetos não passassem de meras fantasias.

As experiências do padre Roberto Landell de Moura, com aparelhos de sua invenção, transmitindo telegrafia e fonia sem fio, por ondas eletromagnéticas e ondas luminosas, ocorridas em 1893, antes do conhecimento do invento de Guglielmo Marconi, do alto da avenida Paulista para o alto de Santana, em São Paulo capital, não foram sigilosas; pelo contrário, chegaram a contar com a presença do cônsul britânico em São Paulo, Sr. Percy Charles Parmenter Lupton, e foram coroadas de brilhante êxito. Relembra ainda a revista “Ciência Popular”, o que escreveu a “Science and Invention” dos Estados Unidos em agosto de 1934 sobre o extraordinário sucesso que obteve na Exposição de Chicago a apresentação de uma aparelhagem (Pe. Landell de Moura) que permitia a transmissão de música e da voz através de um feixe de luz! Conclui a revista depois de várias considerações de ordem científica:

“É de lamentar que uma parte da elite brasileira não tenha a mínima idéia acerca da possibilidade de um feixe de luz carregar as vibrações sonoras e muito menos conhecer de nome o sábio rio-grandense que falava no fim do século passado, a mesma linguagem dos sábios de hoje. E também para mostrar que, há muitos anos, uma das invenções do padre Landell de Moura, serviu para notáveis experiências de caráter público, em Nova York e em Chicago, e chegou a preocupar o grande número de radioamadores estadunidenses que construíram pequenos modelos para estudo e divertimento pelos planos da Science and Invention”.

Já em 1902, o Padre Roberto Landell de Moura enchia páginas, com as suas descobertas, dos grandes jornais estrangeiros, como o New York Herald, edição de 12 de outubro, Fifth Section, como o descreve um escritor norte-americano pelas colunas do New York Herald, um “gentleman de uns quarenta anos de idade” e estava na plenitude de seu gênio. Naquele país, viveu o Padre Landell de Moura por um espaço de três anos, durante os quais assombrou os meios científicos americanos com seus numerosos e prodigiosos inventos, entre os quais os três da mais decisiva importância para o mundo:

Padre Roberto Landell de Moura obteve três patentes nos Estados Unidos: “Transmissor de Ondas” - precursor do rádio, a 11 de outubro de 1904, patente de nº 771.917; “Telefone sem fio” e “Telégrafo sem fio”, a 22 de novembro de 1904, patentes de nº 775.337 e 775.846.

Os Estados Unidos da América, como na atualidade, já era então a meca dos inventores, motivo por que foi esse o país escolhido pelo Padre Roberto Landell de Moura para o seu banho de valor. Deixando, pois, a terra nativa, que tão ingrata e adversa lhe vinha sendo, para lá se dirigiu o eminente cientista, em meados de 1901, sem auxílio de quem quer que fosse. Cumpriu todas as formalidades do United States Patent Office e retornou com três patentes americanas, tornando-se o pioneiro inventor brasileiro com registro internacional de invenção pioneira no exterior.