O Padre Landell de Moura e a Ciência

Por: Odalberto Domingos Casonatto

O PADRE LANDELL DE MOURA E A CIÊNCIA
Os Contratempos de um Padre Inventor

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande Sul - Instituto de Teologia - Porto Alegre

Na véspera do sesquicentenário do nascimento do Pe. Roberto Landell de Moura reeditamos esta Monografia elaborada no Curso de Teologia, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. A elaboração do trabalho teve a orientação e acompanhamento do Prof. Carlos Albino Zagonel. Esperamos que este trabalho possa servir de ajuda aos estudiosos da matéria neste tempo que antecede o sesquicentenário de seu nascimento. Este trabalho foi revisado, corrigido e conserva ainda seus limites de trabalho acadêmico, mas que buscou desvendar a verdade sobre o trabalho do sábio e inventor brasileiro: Pe. Roberto Landell de Moura.  Optamos conservar a descrição que o Pe. Roberto Landell de Moura utilizou quando de seu pedido para concessão de patentes de seus inventos. Poderá ser estas descrições uma preciosa fonte de informação e mostrará para todos, leitor e estudioso, o quanto o Pe. Roberto Landell de Moura estava à frente de sua época.

Agradecimentos:
Ao Pároco da Igreja de Nossa Senhora da Rosário por ter facilitado o acesso ao arquivo da Paróquia e consulta dos livros tombos e manuscritos elaborados pelo Mons. José Balen, Histórico da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Porto Alegre. A Biblioteca do Estado do Rio Grande do Sul por ter facilitado a consulta e Fotocópias dos Jornais da época em que foram realizadas as invenções do Pe. Roberto Landell de Moura

Porto Alegre, setembro 2010.

ÍNDICE
INTRODUÇÃO
CAPITULO I
1. - Ciência e Religião no fim do século XIX
1.1 - A ruptura fatal
1.2 - O governo Brasileiro perante a Igreja
1.2.1.- A Igreja Católica na Republica.
1.3. - 0 Positivismo no Rio Grande do Sul no fim do século XIX
1.4. - A Igreja e o novo avanço da Ciência

CAPITULO II
1 - O Padre Landell de Moura e sua formação
1.1 -Avós maternos
1.2 - O nascimento
1.3 - Os estudos
1.4 - O Padre e o cientista Landell de Moura
1.4.1 - Primeiras atividades como Padre
1.4.2 - Em São Paulo
1.4.3 - Nos Estados Unidos da América
1.4.4 - Na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário
1.4.4.1 - O cônego Roberto Landell de Moura e Arquiconfraria
1.4.4.2 - A morte do Monsenhor Roberto Landell de Moura

CAPÍTULO III
1. - As invenções do Pe. Roberto Landell de Moura
1.1. - As primeiras experiências
1.2. - Nos Estados Unidos da América do Norte
1.3. - O Telefone sem Fio - Anexo 1
1.4. - A Telegrafia sem fio - Anexo 2
1.5. - Transmissor de Ondas - Anexo 3
1.6. - Artigos e notícias de seus inventos
1.7. - Padre Roberto Landell de Moura de volta a sua Pátria

CAPÍTULO IV
1. - Teologia e Ciência
1.1. - Noção de ciência sob o ponto de vista Teológico
1.2. - As relações humanas entre o homem de Ciência e o Teólogo

CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

Porque uma monografia do Pe. Roberto Landell de Moura com a finalidade de conseguir Licenciatura em Teologia. A primeira vista parece, assunto um pouco deslocado dos intricados problemas Teológicos do Curso. Mas o Padre Roberto Landell de Moura viveu em uma época em que a História da Igreja Mundial, bem como Brasileira e Sul Rio-grandense, enfrentavam uma série de transtornos, devido ao crescimento da Ciência. Padre Landell, cientista e sábio de grande prestígio e fama nos mostrou um caminho para o entendimento entre Ciência e Religião. Esta Monografia foi dividida em quatro capítulos. No primeiro capítulo apresentamos, ao leitor, a situação em que se encontrava Ciência, Religião e Política. Integrando-nos na época histórica em que viveu o Padre Roberto Landell de Moura. Colocando-nos dentro deste processo histórico saberemos avaliar quanto de genial tinha o grande sacerdote. Realmente era um gênio que estava além de sua época, profetizou até sobre comunicações interplanetárias. A política e os espíritos menos esclarecidos de membros da Igreja muito o magoaram ao ponto de abandonar por completo seu caminho de cientista e grande inventor.

No capitulo segundo, abordamos a pessoa do Padre Landell de Moura, sua origem, descendência e formação. Suas atividades como sacerdote tanto no Estado de São Paulo como aqui em Porto Alegre no Seminário Metropolitano, como professor de História Universal, capelão do Bom Fim, Pároco de Uruguaiana, na Igreja do Menino Deus e na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Mas sua grande capacidade não se restringiu ao gênio inventivo de um grande Físico, mas o seu trabalho de Pároco foi profundamente marcado pela personalidade. Criando, por vezes, atritos com autoridades, levou sempre adiante suas idéias. Profundo devoto de Nossa Senhora Aparecida, não conseguiu em vida erguer uma capela em sua honra, nem um patronato para meninas em Santo Antonio da Patrulha. Somente acumulou a quantia necessária para o seu erguimento. Com sua morte este dinheiro foi empregado na construção da nova Igreja do Rosário, restando apenas um altar lateral dedicado a Nossa Senhora Aparecida. Antes de sua morte foi nomeado ao cargo de Arcediago do Cabido Arquidiocesano de Porto Alegre.

No capítulo terceiro apresentamos a descrição das três patentes, conseguidas pelo Pe. Roberto Landell de Moura. O Telefone sem Fio; o Telegrafo sem Fio e o Transmissor de Ondas. Optamos pela publicação da tradução integral da descrição destas três patentes para ter uma idéia clara da genialidade de suas invenções e de sua capacidade inventiva. Em um último capítulo, abordamos a Ciência desde o ângulo Teológico, bem como o relacionamento entre o homem de Ciência e o Teólogo.

CAPITULO I

1 Ciência e Religião no fim do século XIX.

O avanço que se verificou no campo da Ciência, foi uma reação contra a Escolástica, contra a própria Metafísica e contra a Religião. O que Augusto Conte afirmava como norma “Seul le sensible est connanissable”, se tornou máxima de todo o saber de então. A cultura do mundo ocidental passou a ser de modo amplo positivista e voltado para a ciência. Toda esta reviravolta inicia com o grande observador e experimentador, Galileu, que em seus trabalhos sobre a queda dos corpos havia corrigido Aristóteles e confirmava a tese de Copérnico e Kepler. Tudo isto culminou no fim do século XIX com a grande ruptura entre o pensamento científico e o pensamento religioso.

      1. - A ruptura fatal.

Na Idade Média, a autoridade eclesiástica, não somente controlava as iniciativas das ciências profanas, mas também animava e favorecia. Naquele mundo ainda semi-bárbaro, os clérigos da Igreja eram considerados instruídos, as Bibliotecas, as Universidades eram propriedade da Igreja. Por que é que logo após ter tomado corpo e personalidade a Ciência se inimizou contra a Igreja?

O método experimental, as próprias conclusões das ciências formam na pessoa do cientista um modo de pensar impregnado do espírito de Ciência. O mesmo pode ocorrer no fiel ou Teólogo, que é responsável pela doutrina cristã. Analogamente ao que o cientista possui fazendo ciência que é o fato experimental, na Religião o objeto primordial do fiel ou do teólogo é a fé. Sem ela não é possível falarmos em Religião. Assim para o cristianismo o que vale não é tanto uma teoria, ou uma doutrina sistemática, mas sim o fato em si. A existência concreta de pessoas divinas, da Redenção, a Encarnação do Verbo, do pecado como degradação espiritual. Tudo isto encontramos na formulação dos dogmas de fé. Ex: Cristo, Filho de Deus, Salvador é Deus e Homem. O cientista por sua vez, em um primeiro plano, supõe uma hipótese sobre o que mais adiante poderá ser uma teoria. O Teólogo por sua vez, ante o conjunto de dogmas que se lhes apresenta em sua frente, apela para filosofia, Ciência irmã, para dar uma sistematização racional. No início, a Teologia empregou a forma Platônica para dar suas explicações e posteriormente, a Aristotélica. Notamos que até o final do século, a tradição sólida de que a Igreja era portadora, comprova mais uma vez que todos sentiam o peso de sua doutrina e de sua autoridade. Assim, um espírito separado da Teologia permanecia inclinado a criticar as verdades da religião e outros critérios que se mesclam com Teologia.

O cientista quando tratar de seus problemas seguirá seus esquemas mentais, segundo o seu espírito e método cientifico. A separação da Ciência e Religião historicamente foi necessária e de certo modo foi útil para ambos os lados. A Ciência por sua vez sentiu-se extremamente bem. Teve assim oportunidade de desenvolver-se sem as amarras da autoridade eclesiástica. Aquilo que a Ciência lucrou de sua parte, a Igreja também obteve. A Igreja estava habituada a longo tempo a controlar todas as iniciativas humanas, até nos campos da Ciência profana, os problemas políticos e sociais, estavam com estes objetos em mente correndo risco de esquecer-se de sua missão fundamental que é a evangelização. A Igreja nunca pode ter como objetivos principais, ser uma Instituição de Pesquisas ou ter autoridade Política, mas sim à verdadeira missão deixada por Cristo. Deixamos um pouco de lado a parte histórica para nos fixarmos no final do século XIX, época, em que viveu o Padre Roberto Landell de Moura, para podermos entender melhor esta monografia.

No século XIX a Ciência e a técnica, de modo especial, a Química e a Biologia, desenvolveram-se em passos largos. Laplace começa a ensinar a doutrina do determinismo universal, a qual tem tendência de tornar inútil o próprio Deus, já que tudo tem uma explicação cientifica, e que todas as coisas podem ser previsíveis, se todas as coisas forem conhecidas. A Física se entendeu, enormemente com suas teorias acerca da luz, da eletricidade e da termodinâmica. Começou entrar em uso tipos totalmente novos de conceitos científicos, tais como campos interativos e probabilidades. A Química na forma moderna de desenvolvimento, desde os fundamentos na teoria atômica de Dalton, no início do século, até a formulação da tabela periódica de Mendeleiev e o nascimento da química orgânica no final do século. Uma florescente tecnologia pratica fundamentada nestas Ciências Físicas desenvolveram suas invenções que transformaram o rosto da sociedade ocidental e alteraram de uma maneira indireta a visão que o homem tinha do mundo. No final do século, entretanto, foi a Biologia que causou maior polemica no campo científico, causando um impacto do mais amplo alcance no pensamento humano e que este desenvolvimento constitui uma das maiores revoluções da história intelectual. O lugar que ocupou Darwin na Biologia, foi sem dúvida o que Newton ocupou na Física.

A idéia da antiguidade da Terra e do homem incompatível com a tradição que, pouco a pouco se difundiu encontra o seu desabrochar definitivo no meio do século com a descoberta do homem fóssil e a teoria da evolução de Darwin, que não receava afirmar a origem do animal do homem. Os filósofos materialistas se aproveitaram da ocasião para poder destes fatos extraírem argumentos anti-religiosos. Os teólogos, por sua vez estavam ainda perdidos, com tantas idéias novas, apenas querendo discernir o que é verificação cientifica e o que é teoria. Surge nesta época uma doutrina filosófica, o positivismo de Augusto Comte, codificando o novo papel diretor da ciência.

      1. - O Governo Brasileiro Perante a Igreja.

Na época em que viveu o Padre Roberto Landell de Moura, a Igreja sofreu uma série de transformações, que influíram diretamente no seu trabalho, não só apostólico, mas também cientifico. No fim do Império ocorre a Questão Religiosa. As Irmandades (cujo fim era promover o decorro dos templos, auxiliarem as obras de caridade) estavam sendo um entrave para o progresso da Igreja. A Maçonaria estava infiltrada e seus dirigentes manipulavam estas Irmandades. O Padre Roberto Landell de Moura encontrou, em seu trabalho evangelizador na Igreja do Rosário problemas com a Arquiconfraria. O capuchinho pernambucano Dom Vital Maria de Oliveira, foi para Olinda. Foi nesta época que surgiu, problemas com ele e a Maçonaria. O começo foi simples, uma negação de uma missa aos membros da Maçonaria. Após esclarecimentos ao povo da finalidade da Maçonaria. E ao interditar a Confraria da Soledade, a Confraria do S. S. Sacramento e outras, foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal. Finalmente condenado a 4 anos de prisão. Os protestos contra este ato governamental se ouviram em todo o Brasil e na Europa.

1.3 - A Igreja na Republica.

Com a mudança de Regime governamental no Brasil, a Igreja sofreu uma série de mudanças; julgamos que foi um passo histórico para a maior propagação da Igreja no Brasil. “O fato da mudança de regime causou espanto e horror a Igreja que embora indiferente às formas de governo, viu que nos elementos que constituíam o ministério e que dominavam no momento, os seus maiores e mais terríveis inimigos. De um lado, estava a corrente positivista, representados pelos mais ardorosos adeptos de Augusto Comte, do outro Rui Barbosa, que ainda naquela época era um dos mais temíveis adversários da Igreja no Brasil” [1]. Vantagens da separação da Igreja e do Estado: Reconquista da liberdade. A Igreja ficou livre do Padroado. A escolha dos Bispos para o Brasil podia partir livremente do Papa. Os Bispos estavam livres em toda a sua administração, tendo amplo acesso as paróquias e na formação do clero. A condição de funcionários públicos, que eram considerados os padres e os bispos, foram deixados de lado passando eles ter uma nova imagem perante o povo. A Igreja começou a ter um vigor mais intenso devido a liberdade adquirida, na Republica. O número de Dioceses aumentou sensivelmente, se não dizer vertiginosamente. Os ataques violentos sofridos neste período foram pouco a pouco se amainando e a Igreja que a Maçonaria e os positivistas esperavam que desaparecesse, pelo contrário, criou coragem, força e cresceu.

      1. - O positivismo no Rio Grande do Sul do século XIX.

Pretendiam criar uma sociedade sem Rei e sem Deus. Exerceram grande influência no fim do século e início deste, principalmente na queda do Império e início da Republica. No Rio Grande do Sul, Julio de Castilhos foi grande adepto do positivismo, refletindo este espírito em construções: Biblioteca Pública, monumentos, (Ex: monumento a Julio de Castilhos na Praça da Matriz) etc. A Igreja sofreu muito neste período, mas aos poucos foi ganhando o terreno perdido. Foi nas escolas militares que se lançaram as primeiras sementes do positivismo. “Estaria reservado a Benjamin Constant, militar e matemático, representante da pequena burguesia brasileira da época, um importante papel na propagação da doutrina positivista entre a mocidade das escolas militares”. [2] Os positivistas começaram a se agrupar e se organizar; no sul formaram um dos grupos mais fortes do país. Na época da Proclamação da República juntamente com a Maçonaria foram os idealizadores da nova forma de governo. Logo após a Proclamação, houve a separação da Igreja como Estado, onde o Rio Grande do Sul com seus representantes foram os que mais atacaram a Igreja, mas o projeto de Rui Barbosa saiu vitorioso sendo deste modo uma separação altamente positiva a Igreja.

Julio de Castilhos (Cruz Alta, 29 de junho 1860, Porto Alegre 24 de outubro de 1903) foi o grande defensor do positivismo. “Espírito lúcido, cultura filosófica haurida da política positiva de Augusto Comte, caráter inflexível, sua influência crescia à medida que a idéia republicana ganhava terreno”. [3] Na época da Proclamação da República foi enviado Julio de Castilhos a capital da Republica como senador do partido republicano Rio-grandense, exercendo muita influência na organização do Brasil sob o novo Regime. Foi na Constituição Rio-grandense de 14 de julho de 1891, que Julio de Castilhos imprimiu a marca de sua personalidade e suas convicções positivistas. A qual exerceu grande influência na História Rio-grandense. Borges de Medeiros foi seu continuador, mas não era mais um fanático para o positivismo, em seu governo nas relações coma Igreja eram amistosas. No ano de 1916, para dar uma idéia da influência que estava exercendo a Igreja Católica no ambiente cultural Rio-grandense destacamos um tópico do discurso do Dr. Plínio Casano. Discurso de formatura da Faculdade de Direito da UFRGS. Mostrou à absurda e preconizada incompatibilidade da Ciência com a Fé. E quando se referiu a blasfema substituição da imaginada e pretendida por Augusto Conte da devoção da Virgem Maria pelo culto insensato a sua Clotilde de Vaux, suas palavras foram abafados por estrépitos salva de palmas. Estava se iniciando nesta época a decadência do positivismo no cenário político Rio-grandense. Chegara mais uma vez a hora de aparecer a verdade. A Igreja estava tomando novo vigor, em todos os campos. O Pe. Roberto Landell de Moura passou a maior parte de sua vida justamente num período hostil da Igreja. Sofrendo deste modo, grandemente em seu trabalho de cientista.

      1. - A Igreja e o Novo Avanço da Ciência.

Abordaremos agora um aspecto delicado do problema, porque se inúmeros cientistas mesmo não católicos se dispõem a viver o seu ideal científico e dentro deste espírito aceitam a ascese e a austeridade, entretanto os mesmos revoltam-se contra o que chamam de intrometimentos da Igreja nos domínios da Ciência. A Igreja recebeu um mandato divino e não pode se furtar disto sem sacralizar o mundo e todas as suas atividades. Ela deverá estar presente em todos os momentos de sua história, em todos os setores da atividade humana, para que o apelo de Jesus Cristo encontre eco. Estes apelos deverão ser encarnados, revestidos de formas contingentes, particulares, visíveis, tangíveis e audíveis. Na Idade Media a Igreja extrapolou suas funções, devido à precariedade cultural ai existentes; liberou enormes esforços no progresso da civilização, beneficiando enormemente a Ciência. Hoje em que a Ciência já encontra sua maturidade, a Igreja dá-se conta que sua missão de educadora e sua autoridade não e mais universalmente aceita. Mas sua missão de levar valores que são inseparáveis aos homens continua. Entre a Idade Media e a maturidade, a Ciência passou por difícil adolescência; pretendia censurar a Igreja por ter cometido erros. O processo Galileu é ainda considerado por muitos como a síntese exclusiva de toda a atitude da Igreja, face a Ciência. Recriminá-la sem cessar seria imitar a reação destes adultos ainda adolescentes, que não conseguem perdoar certos erros de formação a seus antigos educadores.

A Igreja Católica desde o início deste século faz um esforço hercúleo para sair das hesitações, que a colocam em choque com a ciência, militantemente anti-religiosa e de pretensões sem limites. O Pe. Roberto Landell de Moura viveu todo este torvelinho de ataques por parte da Ciência à Religião, mas permaneceu firme, como homem de horizontes vastos. Em um de seus sermões dominicais na Igreja do Rosário, ele proclamou: “Quero mostrar ao mundo que a Igreja Católica não é inimiga da Ciência e do progresso humano. Indivíduos, na Igreja, podem, neste ou naquele caso, haver-se oposto a esta verdade; mas fizeram-no por cegueira. A verdadeira fé católica não a nega. Embora me tenham acusado participante como diabo e interrompido meus estudos pela destruição de meus aparelhos, hei de sempre afirmar: isto é assim, e não pode ser de outro modo”. [4]

CAPITULO II

1 - O Padre Landell de Moura e sua formação

1.1 - Avós Maternos.

Seu avô materno foi o médico escocês Roberto Landell. “Diplomou-se pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. [5] Nascido em Bernich por volta do ano de 1788. Da corrente imigratória Inglesa vinda ao nosso Estado, era um dos que desfrutava boas condições de vida. Era filho de Guilherme Landell e de Isabel Mesna e casou em primeiras núpcias na Escócia, com Iara Thompson Grahm, filha de Thompson e Elizabeth Green”. [6] Logo após seu casamento deve ter vindo para o Brasil, pois seu único filho com Iara Thompson Grahm, nasceu em Porto Alegre, aos 9 de setembro de 1827. Este filho chamava-se John Landell e seguiu a profissão do pai, a Medicina. O velho Roberto Landell casou novamente em 4 de julho de 1831 (não se sabe por que), com Rosa Joaquina de Carvalho, filha de Tomás de Carvalho e de Ana Maria da Conceição e a 24 de março de 1832 nascia a sua primeira filha Sara Mariana Landell, que seria a mãe do Pe. Roberto Landell de Moura. Sara casou-se com o capitão Inácio José Ferreira de Moura era filho de Luiz Ferreira de Moura e de Inácia Maria de Jesus e nascido em Rio Grande a 19 de junho de 1829. Eles tiveram 14 filhos, sendo o Padre Roberto Landell de Moura o que ficou como nome do avo materno.

...dia 21 de janeiro de 1861” nascia o Padre Roberto Landell de Moura. Ele foi o quarto dos 12 irmãos...

1.2 - O Nascimento.

“Foi na Rua Bragança, hoje Marechal Floriano, em uma esquina onde havia a antiga Praça do Mercado, hoje Praça Parobé, que no dia 21 de janeiro de 1861” [7] nascia o Padre Roberto Landell de Moura. Ele foi o quarto dos 12 irmãos. O primogênito foi o Inácio, que levou o nome de seus pais e que se formou em Medicina e que durante a sua vida escreveu as gramáticas alemã e Inglesa. Depois nasceu a Sara Mariana, que levou o nome de sua Mãe. O terceiro foi Guilherme que se tornou sacerdote e muito influenciou Roberto a seguir a carreira eclesiástica. Em seguida veio o Roberto e a Rosa. O sexto foi João que seguiu a profissão de farmacêutica, há uma Rua em Porto Alegre, no bairro da Tristeza com seu nome. Ainda nasceu Pedro, Edmundo e o Antônio. E mais a Isabel o Francisco e o Ricardo. Seu batizado foi realizado na Igreja do Rosário, na qual mais tarde viria ser o vigário. No mesmo dia foi batizada também a irmã Rosa.

1.3 - Estudos.

“Fizera seus estudos iniciais com o professor Ribeiro no Colégio Fernando Gomes” [8]. Seus pais sendo muito religiosos colocaram seu filho no colégio dos Jesuítas, em São Leopoldo, cidade próxima a capital gaúcha. Terminou seus estudos de humanidade com excepcional brilhantismo. No ano de 1879, por sua própria iniciativa, o jovem Roberto parte para a coorte, “onde segundo uns se matriculou na Escola Politécnica e segundo outros, se empregou num armazém como caixeiro de balcão”. [9] Passado alguns meses, em que Roberto estava na capital do Império, seu irmão Guilherme que estava seguindo a carreira eclesiástica, passando pelo Rio de Janeiro, em transito para Roma, o visita. Este encontro com seu irmão Guilherme trocou completamente os planos que havia traçado, para sua vida. Roberto era possuidor de um grande espírito místico, e de uma hora para outra resolveu abraçar a carreira eclesiástica. Dedicar-se no serviço humilde e total ao povo de Deus. Com este novo caminho abraçado, veio de alguma forma satisfazer seus pais, que rezavam por ter um filho sacerdote. (OBS: E Guilherme já não sacerdote?) Seguiu assim com seu irmão, Guilherme, para Roma. “Fez seus estudos eclesiásticos no colégio Pio Latino”. [10] Juntamente, passou freqüentar a Universidade Gregoriana, na qualidade de aluno de Física e Química, .(OBS: conforme pesquisas recentes, essa informação está incorreta, pois a Universidade Gregoriana não ministrava esses cursos, mas Teologia, Direito Canônico, Filosofia, História e Bens Culturais da Igreja, Missiologia, Ciências Sociais e Espiritualidade, Psicologia, Ciências Religiosas, Estudo sobre Religiões e Cultura, Centro Interdisciplinar sobre Comunicação Social, Centro Interdisciplinar para a Formação dos Formadores dos Seminários, Centro "Cardeal Bea" para Estudos Judaicos.). com a finalidade de aprofundar os seus conhecimentos também nestes campos. Foi nesta época que Roberto, começa a idealizar sua teoria sobre a unidade das forças físicas e sobre o Universo. “E no dia 28 de novembro de 1887, foi ordenado Sacerdote” [11].

1.4 - O Padre e o Cientista Roberto Landell de Moura.

1.4.1- Primeiras atividades como Padre.

De regresso ao Rio de Janeiro, residiu por alguns meses em uma casa de padres, existente no antigo morro do Castelo. Por esta ocasião substituiu o Capelão do Paço Real, e muitas vezes manteve palestras de caráter científico com D. Pedro II. No dia 28 de fevereiro de 1887, foi nomeado, capelão do Bom Fim e professor de História Universal do Seminário Episcopal de Porto Alegre. (OBS: Como foi nomeado capelão no Bom Fim em fevereiro se somente em novembro como sacerdote?) Em 1891 foi provisionado Vigário de Uruguaiana, cargo que deixou, a convite do então Bispo de São Paulo, Dom Lino, para lecionar Ciências Naturais no Seminário Diocesano.

1.4.2.- Em São Paulo.

No Estado de São Paulo ele desempenhou o cargo de vigário interino das paróquias de Santos, Campinas e Santana (São Paulo) foi nesta época que fez suas primeiras experiências, que serão descritas quando falarmos nas invenções. Ao mesmo tempo desempenhou o cargo de capelão do Colégio Santana. No ano de 1900 após varias experiências consegue uma Patente Brasileira, para seus inventos, sob o número 3279 concedido “para um aparelho apropriado a transmissão da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água”. [12]

1.4.3. – Nos Estados Unidos da América do Norte.

Após vários vexames na sua pátria, (OBS: Que vexames foram esses?) o Padre Roberto Landell de Moura, resolve ir para os Estados Unidos da América do Norte, a fim de patentear os seus inventos. Chega ali em meados de 1901. Em 1902, o jornal New York Herald, de 12 de outubro de 1902, publica extensa reportagem sobre o padre cientista. E nos outros três anos, patenteia os seus inventos. Em 22 de novembro de 1904, com a Patente de N° - 775.337, (Telefone Sem Fio) e com o N° - 775.846 (Telegrafo Sem Fio) e em 11 de outubro de 1904 com a Patente de N° - 771.917, (Transmissor de Ondas). (Estes três inventos serão explicamos mais detalhadamente no capítulo III). De regresso dos Estados Unidos da América do Norte, a convite do Cardeal Arcoverde, regeu a Paróquia de Botucatu e de Mogy das Cruzes no Estado de São Paulo. Em 1908 voltou a Porto Alegre com a finalidade de visitar a sua mãe enferma, e resolve ficar aqui. Foi lhe dada à paróquia do Menino Deus.

1.4.4. - Na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário.

No dia 6 de janeiro de 1915, tomou posse na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e que segundo alguns, havia deixado a Paróquia do Menino Deus profundamente magoado e como que desanimado. Isto talvez venha se confirmar porque no dia 6 de fevereiro, ele pediu dispensa do retiro anual do clero secular, requerendo licença por 2 meses, para tratar de saúde em São Paulo e Minas Gerais. Nessa sua ausência o substituiu o Padre Dr. João Maria Balen. Uma dificuldade encontramos em colher dados históricos desta época, pois, durante um espaço de 13 anos no livro tombo da paróquia foi escrito somente duas páginas. (Constatado durante consulta aos arquivos da Paróquia do Rosário. A crônica escrita deste período foi substituída com a narrativa que o Padre Dr. João Maria Balen fez dos fatos e da história deste tempo detalhadamente escrita no livro tombo paroquial). Durante os anos de seu paroquiato na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, surgiu uma série de atritos, com as autoridades eclesiásticas e com a arquiconfraria, existente na Paróquia.

“Já no dia 8 de fevereiro de 1916, o vigário Geral, Monsenhor Dr. Luiz Mariano da Rocha, pediu esclarecimentos ao Pe. Roberto. Landell de Moura, sobre uma notícia publicada, no Correio do Povo, segundo a qual esse sacerdote, teria aberto, ao lado da Igreja do Rosário, um gabinete de antropologia experimental, para o estudo do hipnotismo e do espiritismo”. [13] Recordamos o fato que nesta época o espiritismo esta em franco desenvolvimento no estado e que era atacado constantemente pela Igreja. Nos escritos deixados pelo Padre Landell vamos encontrar uma série de artigos, que vão comprovar os seus estudos em outros campos do saber. Com estudos sobre a personalidade, neuroses, espécies de caráter, estados anormais, elemento R e outros assuntos. Em data de 15 de janeiro de 1916, o cabido Diocesano da Arquidiocese de Porto Alegre foi novamente ereto, O Senhor Arcebispo Metropolitano havia feito o pedido ao papa Pio X para o seu funcionamento. “Na provisão de 7 de junho de 1916 nomeou os 10 primeiros cônegos. [14] O padre Roberto Landell de Moura passou a ser o cônego Penitenciário do cabido Arquidiocesano. No dia 9 de junho de 1916, por ocasião da festa da Mãe de Deus, O Sr. Arcebispo Diocesano põe em execução o decreto da Sagrada Congregação Consistorial, que elege e institui o Cabido. Os jornais da capital fizeram extensas reportagens sobre o acontecimento. [15]

O cônego Roberto Landell de Moura, no ano de 1916, extinguiu a devoção de Nossa Senhora da Soledade. Devido a isto recebeu severas criticas dos devotos. Mas o cônego Landell tinha a idéia de estabelecer a devoção de Nossa Senhora Aparecida, ele era grande devoto e isto realmente aconteceu. Tinha em mente trazer uma devoção que representa-se algo mais concreto para seu povo. Por esta sua idéia foi muito perseguido, criticado, mas permaneceu firme, em sua decisão. Lançou nesta época um opúsculo, chamado de “Cartas inéditas de Bernardus Vallumbrosius a seu discípulo Arsênio, Bispo de Thyrsea”, se referia as neuroses dos dirigentes, das paixões, dos estigmas e taras de família e de outros assuntos. Novamente ouve incidentes com as autoridades do Arcebispado. Em 1922, em meados do ano, o Pe. Landell, foi fazer uma estação de águas no Estado de São Paulo, e o substituiu durante este período o Padre Leopoldo Pedro Hoff. E novamente em primeiro de dezembro de 1922 se afasta das atividades paroquiais para tratar da sua saúde. Salientamos aqui o aspecto, de que cônego Roberto Landell de Moura, não se encontrava mais bem de saúde após ter assumido a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário. “Em 10 de setembro de 1923, o cônego Roberto Landell de Moura obteve três meses de licença, para tratar da saúde em Poços de Caldas”. [16]

Novamente em março de 1924, Mons. Mariano da Rocha, pede explicações sobre as últimas práticas que fizera na Igreja do Rosário, que dizia ter atacado devoções que eram permitidas. O Pe. Roberto Landell de Moura, logo em seguida, retratou-se dizendo que nunca havia atacado devoções permitidas, mas somente devoções piegas. Tal como a devoção denominada Nossa Senhora dos Brasileiros. A interpretação de tal incidente se dá do fato em que Pe. Roberto Landell de Moura era devoto de Nossa Senhora Aparecida, que mais tarde se tornou padroeira do Brasil, e o Monsenhor Mariano da Rocha vigário Geral, tinha como devoção Nossa Senhora dos Brasileiros. A mesquinhez por parte deste se manifestou no fato que após a morte do Monsenhor Roberto Landell de Moura, não mais foi feita a capela e o patronato para meninas em Santo Antonio da Patrulha com o nome de Nossa Senhora Aparecida. O dinheiro que se havia arrecadado de 12:400$300 (depositado no Banco da Província em nome da capela do patronato de Nossa Senhora Aparecida, foi desviado para a construção da nova Igreja do Rosário, que por sinal teve inicio somente na década de 1940) para descarga de consciência, foi dedicado um altar a Nossa Senhora Aparecida. Por este fato podemos notar que as relações do Cônego Roberto Landell de Moura com a Hierarquia da arquidiocese não eram nada amistosas. O tempo veio confirmar que a devoção a Nossa Senhora Aparecida, era a que mais simpatizava como povo de Deus.

Novamente em 19 de março de 1926, o cônego Roberto Landell de Moura, estava doente, e seguiu para Caxambú para tratamento de saúde. Como já falamos o Padre Roberto Landell de Moura era grande devoto de Nossa Senhora Aparecida. Todos os anos celebravam a sua festa, com um tríduo à tarde e missa festiva no dia 11 de maio. “Este seu devotamento era tal que no último ano de sua existência, em 1927, como andava muito doente, pregou sentado em uma cadeira e derramou abundantes lágrimas quando falou da augusta padroeira do Brasil”. [16] Tinha feito plano de fazer uma Capela e um Patronato, sob a invocação de Nossa Senhora Aparecida, mas nunca era lhe concedida licença por parte do Arcebispado. Até que com sua morte o dinheiro arrecadado seria desviado pra a construção da Igreja do Rosário.

Apresentamos agora uma estatística do Movimento Religioso da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário.
1914.........................................2.360 comunhões
1923.........................................2.084 comunhões
1924.........................................2.200 comunhões
1926.........................................2.350 comunhões
1927..........................................1.950 comunhões

“Ao falecer o Mons. Roberto Landell de Moura deixou os seguintes saldos:

10:677$50 no Banco Popular (caderneta em nome da Fábrica da Igreja de N. S. do Rosário)
702$500   no mesmo Banco (caderneta em nome - Patrimônio da Paróquia de N. S. do Rosário)
1:991$000 no mesmo Banco (Apostolado de Nossa Senhora do Rosário)
3:624$900 Banco de Porto Alegre (em nome da Fábrica da Paróquia de N. S. do Rosário)
12:496$300 no Banco da Província a (em nome da Capela e do Patronato de N. S. Aparecida)
2:164$000 Caixa Econômica (caderneta - Apostolado da Oração da Igreja de N. S. Rosário)
__________________
31:656$200 Total

De todos os párocos, Pe. “Landell foi quem deixou a Igreja em melhores condições financeiras” [17] No mês de setembro de 1927 foi elevado a Monsenhor. “Em dezembro de 1927, o Mons. Landell novamente cai enfermo e pede licença para o Sr. Arcebispo de 15 dias para tratar de saúde indo como substituto o reverendo Mons. João Maria Balen”. [18] Esteve por algum tempo na chácara do Sr. Antonio Monteiro Martinez, no bairro Tristeza. O Sr Arcebispo, vendo a gravidade de sua enfermidade baixou-o na Beneficência Portuguesa. Sendo ali ouvido várias vezes em confissão pelo cônego Manoel Canel. Em Janeiro de 1928, por proposta do Sr. Bispo Metropolitano a Santa Sé nomeou-o ao cargo de Arcediago do cabido Arquidiocesano. O Sr. Bispo foi pessoalmente comunicar a distinção que lhe conferia. [19] Durante a sua enfermidade que se prolongou até a morte, certa ocasião recebeu uma visita de amigos, que em meio à palestra alguém aludira aos progressos da Telefonia sem fio, pergunta ao Monsenhor porque ele não havia se interessado em anunciar aos quatro ventos que ele era o inventor e que possuía as patentes, extraídas nos Estados Unidos. O sábio sacerdote respondendo a pergunta de seu amigo e falou que não podia e não devia aparecer como inventor. “E continuou que anos antes, havia sido aconselhado a deixar a batina, para dedicar-se só a Ciência, respondera que não por que respeitava seu voto, e que seu sacerdócio fora a maior aspiração de seus pais. Resolveu renunciar as glorias que as suas invenções lhe puderam conquistar”. [20]

1.4.4.1. – O cônego Roberto Landell de Moura e a Arquiconfraria.

A centenária arquiconfraria do Rosário, nunca conseguiu se entender com o vigário. O peso que representava para o funcionamento da paróquia era enorme. Mandava em todas as atividades da Igreja. Passando o vigário a ser um joguete em suas mãos. O salário do padre era equivalente a uma saída de seu carro para um enterro. O cônego Landell não podendo terminar com ela devido ao apoio que tinha do Arcebispado, aturou ela até os fins de seus dias. Nos seus treze anos de paróquia apenas compareceu uma vez na Reunião. Isto foi em 3 de setembro de 1923. E com o propósito de conservar o prior em seu cargo, o mesmo não queria mais aceitar devido a atritos com o vigário na pintura da Igreja. No ano de 1930, nada mais restava da secular corporação, apenas a recordação da sua passada grandeza. A sua decadência foi tal que “o meretrício campeava infrene nos casebres da Irmandade. O alarido de toda essa ratatuia, nos fundos, nos lados e na frente da Igreja era insuportável. A decadência refletia-se também nas festividades promovidas pela arquiconfraria. Foram suprimidos primeiros novenários e depois também os tríduos preparatórios. Ficando a Festa reduzida a missa solene e com sermão e procissão. Mas que procissão, uma pequena quantia de pretos e pretas, que acompanhavam o andor, sem nenhuma ordem e recolhimento”. [21] Assim mais uma de suas teorias veio se confirmar, com o termino da Arquiconfraria. Sua existência já estava trancando o desenvolvimento harmonioso da paróquia. Era necessária uma reformulação total, mas isto não aconteceu, sobreveio então à morte.

1.4.4.2 – A morte do Monsenhor Roberto Landell de Moura.

Depois de vários meses de leito na Beneficência Portuguesa, o Monsenhor Landell não tinha mais condições de sobreviver. O Sr. Arcebispo metropolitano lhe ministrou o sacramento da extrema unção e acompanhado de vários sacerdotes assistiu os seus últimos momentos. As cerimônias de seu sepultamento demonstraram a estima que tinha de seus paroquianos. No domingo dia 1 de julho, pela manhã o Mons. João Emilio Berwanger, pró-vigário Geral, celebrou missa de corpo presente na capela da Beneficência Portuguesa. Pela tarde antes do féretro se retirar da Beneficência Portuguesa, vários sacerdotes oficiaram o ofício dos defuntos. Daí se dirigiram à Catedral, onde o Sr. Arcebispo Metropolitano, preside as cerimônias com a presença dos cônegos capitulares e do clero da capital. Apesar da chuva torrencial que caia naqueles momentos, a Catedral ficou repleta de povo, comparecendo também, a arquiconfraria de Nossa Senhora do Rosário, o apostolado dos homens e das senhoras da mesma Paróquia. A união dos Moços Católicos também estava presente.“Na assembléia dos representantes, a 3 de julho de 1928, foi prestada significativa homenagem ao falecido sacerdote patrício, sendo seu necrológico feito pelo deputado Álvaro Sergio Masera, referiu-se ele a ação, que dentro da Religião Católica, quer dentro dos domínios da Ciência, desenvolvida pelo extinto sacerdote Rio-grandense. Em frases vibrantes de comoção falou sobre os dotes de coração e Espírito do Monsenhor Roberto Landell de Moura. “Com sua morte perdeu o clero Rio-grandense um dos seus membros mais fulgurantes”. [22]

CAPÍTULO III

1. - As invenções do Pe. Roberto Landell de Moura.

1.1. As primeiras experiências.

As primeiras experiências feitas em público, foram no Estado de São Paulo. Era então vigário de Campinas, o Pe. Roberto Landell de Moura e foi até a cidade de São Paulo com estranhos embrulhos os quais possuíam peças de seus inventos recentes. O Pe. Landell de Moura afirmava que com estes aparelhos, conseguiria falar com pessoas a quilômetros de distância sem a necessidade de fios. Suas experiências se realizaram entre os anos de 1893 e 1894. Tinha em mente já nesta época interessar alguma autoridade com a finalidade de conseguir financiamento para o aperfeiçoamento de seus inventos. Estas experiências foram realizadas do alto da Avenida Paulista ao alto de Santana, cuja distância é de oito quilômetros. Marconi conseguiu iniciar suas elementares experiências somente em 1895 e somente em 1900 transmitiu seu primeiro Radiograma. Mas estas experiências que abriram perspectivas para a glória, como figura impar no campo da Física, foi justamente a sua desgraça. Deste dia em diante só encontrou percalços, barreiras, até o fim de seus dias. Seus patrícios não souberam dar o valor que merecia. Os conflitos entre Ciência e Religião que agitavam os espíritos menos esclarecidos, atacavam constantemente o Padre inventor. Estava morando em Campinas quando, numa tarde, ao retornar da visita aos doentes da cidade, encontrou a porta da casa paroquial completamente aberta e destroçada. Indo em direção de seu laboratório de trabalho encontrou os instrumentos completamente destruídos. Perdiam-se assim naquela infortunada tarde, milhares de horas de trabalho pesquisa e anotações sobre os seus mais variados inventos. Padre Roberto naquele exato momento concluiu que ao seu redor estava cercado por inimigos da Ciência. E deste momento em diante surgiram os mais requintados elogios para ele: louco, bruxo, que teria parte com o demônio, Espírita.

Assim, Pe. Roberto passa ser visto por uma população ignorante como "herege", "impostor", "feiticeiro perigoso" e "padre renegado" por seus experimentos envolvendo transmissões de rádio em São Paulo, pagou com sofrimento, isolamento e indiferença sua posição de absoluto vanguardismo científico. Mas o Pe. Landell de Moura não se abalou e começou a refazer seu laboratório e no ano de 1900, conseguiu uma patente Brasileira, de número 3279, “Para um aparelho apropriado a transmissão da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água”. [23] Pela completa falta de apoio que o Pe. Landell de Moura teve nesta época das autoridades e dos órgãos científicos ele resolveu doar seus inventos ao governo britânico, pais de seus avôs. Dirigiu assim uma carta ao Sr. Lupton, representante do Governo Britânico após ter demonstrado os seus inventos. Muitos foram os aparelhos imaginados pelo Pe. Roberto Landell, com a finalidade de demonstrar as leis em parte desconhecidas pelo mundo científico, e que foram descobertas com o estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade, através do espaço, da terra e do elemento aquoso. Todavia o Pe. Landel tendo falta de recursos e de encontrar bons mecânicos de sua confiança, apresentou apenas cinco aparelho, a saber:

“Telauxifono”, (considerado a quinta essência da telefonia com fios possibilitando o vigor e a clareza da voz a grandes distâncias, tendo como capacidade captar e transmitir todos os sons dos instrumentos de uma orquestra e das vozes cantadas, os cientistas americanos ainda não haviam conseguido tal façanha); “Caleofono”, “Anematofono”, “o Teletiton” e o “Edifono” todos deduzidos, com tantos corolários, das leis supracitadas. Segundo o Pe. Roberto estes aparelhos são eminentemente práticos e podem prestar bons serviços. O aparelho Telauxiofono é última palavra, sobre telefonia com fio, não só pelo vigor e inteligibilidade com que transmite a palavra, mas também porque, com ele, se obtêm todos os efeitos do telefone “alto-parlatore” e do teatrofono. Com esta notável diferença, que se tratando da teatrofonia, é suficiente um só transmissor, por maior que seja o número dos concertantes. Além disso, com o “Telauxiofono”, o problema da telefonia ilimitada tornar-se-á uma realidade prática e econômica. Para sua época este aparelho revolucionava a transmissão de sons instrumentais e vozes humanas.

“O caleofono”, como o precedente, trabalha também com fio, e é original porque, em vez de tocar a campainha para chamar, faz ouvir o som articulado ou instrumental. É muito apropriado para escritórios. O “Anematofono”, com o qual, sem fio, obtem-se todos os efeitos da telefonia comum, porém com muito mais nitidez e segurança, visto funcionar ainda mesmo com vento e mau tempo. É admirável este aparelho, pelas leis inteiramente novas que revela.“O ‘Teletiton’, espécie de telegrafia fonética com o qual, sem fio, duas pessoas podem-se comunicar, sem que sejam ouvidas por outra. Creio que com este sistema poder-se-á transmitir por meio da energia elétrica a grandes distâncias e com muita economia, sem que seja preciso usar-se de fio ou cabo condutor. Este sistema inventado pelo Pe. Landell, não usa nenhum dos aparelhos ou peças até hoje imaginadas, por outros cientistas, para este fim. Este novo sistema inventado pelo Pe, Landell propõe uma cabal resolução ao problema da telegrafia sem fio. O ‘Edifono’ finalmente serve para dulcificar e depurar as vibrações parasitas da voz fonografada, reproduzindo-a ao natural. Este aparelho tornar-se-á o amigo inseparável dos músicos compositores e dos oradores. Foram estes aparelhos que Pe. Roberto Landell de Moura apresentou a Sr Lupton e que ele os encaminhasse, como doação, ao Governo Britânico ou a qualquer Instituição Universitária Inglesa. Apenas permanecia o pedido de que com o lucro obtido pela comercialização destes aparelhos, abrissem, na Inglaterra, duas casas para amparo e educação dos filhos e das filhas dos bravos soldados que tinham sucumbido nos campos da terrível guerra anglo-transvaliana, e que a ele, Pe. Landell dessem o necessário para viver e para continuar com os seus estudos e experiências cientificas. [24]) Ninguém mais soube informar que fim levou os aparelhos doados ao governo Britânico.

1.2.- Nos Estados Unidos da América do Norte.

Pela demora em receber uma resposta do governo britânico e da falta de condições em ir a Inglaterra para fazer a doação de seus inventos, nesta época surge outra idéia ao Pe. Landell de Moura ir aos Estados Unidos da América a fim de patentear os seus inventos. Foi exatamente isto que realmente fez. No Brasil não havia ambiente para um inventor, onde foi ridicularizado e rejeitado, e do governo britânico não obteve mais nenhuma resposta de retorno. Admite se que seus inventos nunca lá chegaram. No fim do século passado os Estados Unidos se apresentava como o país de grandes inventores, existia ali ambiente e interesse. Grandes descobertas ali eram realizadas, o apoio do governo era maciço, as indústrias estavam colocando no mercado as descobertas. Pe. Roberto chegou aos Estados Unidos em meados do ano de 1901, não recebendo para isto auxílio de ninguém. Em 12 de outubro de 1902 o jornal “New York Herald”, publica em suas colunas, farto material sobre o grande gênio, juntamente com uma foto sua. Ali viveu o Pe. Roberto Landell de Moura, por um espaço de três anos, assombrando o meio científico norte americano, com seus inventos; de todos ficaram apenas registrados três: a Telefonia sem Fio, o Telegrafo sem Fio e o Transmissor de Ondas, outros inventos ficaram perdido na poeira do tempo. O Pe, Landell, pensava ficar apenas uma curta temporada e já em 4 de outubro de 1901, requereu, a oficialização do Telefone sem Fio. Porém algo estranho ocorreu, “The Patent Office” de Washington, não aceitou que tão somente fossem expostas suas teorias, era necessário apresentar também os aparelhos com demonstrações praticas.

Sabemos o que havia acontecido com seus aparelhos, e os últimos não havia trazido. O remédio foi então demorar-se mais. Em seus apontamentos foi encontrada a descrição de seus gastos previstos:
Viagem de ida e volta 1:000$00
Estadia de 6 meses 1:500$00
Roupa E preparativos 200$00
Extraordinários 300$00

Foi somente com estes parcos recursos que permaneceu lá durante três anos. Após muito trabalho e dedicação conseguiu as três patentes: Transmissor de Ondas, com o número da patente 771.917, de 11 de outubro de 1904; Telefone sem fio, com o número da patente 775.337, de 22 de novembro de 1904; Telegrafo sem fio, com o número da patente 775.846, de 22 de novembro de 1904.

1.3 - Anexo 1

O Telefone Sem Fio

Nos seguintes anexos apresentaremos uma tradução da explicação que o Pe. Roberto Landell de Moura apresentou ao “The Patent Office of Washington”, na apresentação do pedido de patenteamento de seus três principais inventos Telefone sem fio, Telegrafo sem fio, Transmissor de Ondas. Optamos por este procedimento para mostrar ao estudioso e ao leitor a capacidade inventiva e a importância dos equipamentos que Pe. Roberto criou, desenvolveu e que se tornaram para a humanidade um meio de comunicação nobre e excelente. O alcance de seus inventos ultrapassava a barreira do seu tempo. Nesta descrição do funcionamento de seus aparelhos, poderemos identificar uma grande quantidade de dispositivos que até hoje ainda são usados nos aparelhos de transmissão de sons. Optamos em publicar a tradução do texto original, para facilitar ao leitor interessado em tomar contato direto com a descrição original dos aparelhos que Pe. Roberto Landell de Moura pediu o patenteamento nos Estados Unidos. Existe este mesmo material descritivo no livro de Ernani Fornari e que muitas vezes é difícil de localizar em nossas bibliotecas.

Apresentamos aqui a descrição das descobertas do Padre Landell. Estas Patentes que Pe. Landell conseguiu vem reconhecer o que foi o grande sábio e genial sacerdote Rio-grandense, como inventor daquela maravilha do século. Passamos agora ao texto da patente, que confere ao Pe. Roberto Landell de Moura a prioridade da invenção do Telefone Sem Fio: Eis o que diz a capa da Patente expedida N°. 775.337 – Estados Unidos da América.

     TELEFONE SEM FIO

A Carta Patente N°. 775.337 – Estados Unidos da América.
Departamento de Patentes: 22 de novembro de 1904.
FIGURA N°. 1 TELEFONE SEM FIO
FIGURA N°. 2 TELEFONE SEM FIO
FIGURA N°. 3 e N°. 4 TELEFONE SEM FIO
Descrição pormenorizada do aparelho “Telefone sem Fio”

“A quem interessa possa:

Saibam que eu, Roberto Landell de Moura, cidadão da Republica do Brasil, residente na cidade de Nova York, distrito de Manhattan, Estado de Nova York, inventei um novo e aperfeiçoado Telefone Sem Fio, de que dou a seguir completa, clara e exata especificação. O objeto da minha invenção é transmitir e receber mensagens, à distância, por meio de sons e ondas eletrônicas, correspondentes palavras articuladas, sem auxílio de fios. Nos desenhos anexo, cada número indica sempre a mesma peça.

A Fig. 1 é o diagrama do aparelho, seja para uma estação transmissora seja para uma estação receptora. A fig. 2 é um corte de certas partes do aparelho. Fig. 3 é uma vista de frente. A Fig. 4 é um corte do dispositivo que se destina a reforçar as ondas sonoras na recepção dos sinais. Tal aparelho, de modo geral, consiste num conjunto de elementos capazes de receber e transmitir sons vocais e palavras, e inclui um sistema de sinalização para atrair a atenção do operador. Este sistema de sinalização está aqui indicado simplesmente, para mostrar a sua ligação com o telefone. Um pedido parcial de prioridade a respeito dele foi apresentado em 16 de janeiro de 1902, sob o n° 89.976. Considerando primeiramente a transmissão e a recepção telefônicas e referindo-se particularmente a Fig. 2, a base (1) serve de apoio a um cilindro (2), sobre o qual desliza telescopicamente outro cilindro (3), ajustável por meio de uma manivela (4), um eixo e um pinhão (5), que permitem levantá-lo e baixá-lo à vontade sobre o cilindro 3 é que está disposto o transmissor (C). Um telescópio (6), uma bússola (7) e um nível (8) acham-se montados sobre este transmissor, afim de o mesmo poder ser apontado na direção de qualquer estação distante.

Um tubo (9) ramifica-se na extremidade inferior em duas extensões, providas de um bocal (9) e um fone (10); liga-se o mesmo a outro tubo (12). Ambos esse tubos são conectadas a extremidade inferior isolada de um tubo (15). O tubo 12 possui uma válvula que abre para cima (14) e tem, em sua parte mais baixa, meios para produzir uma corrente de ar, por força de um ventilador (11) encerrado na câmara E. Quando alguém faz funcionar o ventilador (que trabalha sob a ação de corrente elétrica), e fala pelos bocais 9 ou 10, logo uma corrente de ar abre a válvula 14 e segue justamente com os sons emitidos em 9, através do tubo 15. As ondas sonoras, com a corrente de ar, são projetadas pelo funil (16) sobre o defletor (17), e por este são impulsionadas para frente, dentro do corpo da peça C, que também é atravessada interiormente pelo feixe luminoso complexo proveniente da fonte (18). Em 17, mostro uma placa de quartzo, adequadamente adaptada e suscetível de ajustamento pelos parafusos (24). 

O 18 é uma fonte luminosa, de preferência uma lâmpada de arco, cuja luz é rica em raios violetas.  Em 19, esta um espelho, constituído de um dorso (20), que pode ser metal ou vidro, e de forma parabólica, para que reflita somente os raios actínicos ou violetas. Não me limito a essa espécie de luz, ou aos meios indicados para tornar seus raios paralelos, ou aos meios especiais para eliminar todas as radiações fora das faixas dos raios violetas ou actínicos, pois quaisquer meios podem ser empregados desde que produzam raios violetas ou actínicos, ou lhes aumentem a intensidade. Por trás do espelho e a intervalos em volta do corpo do transmissor, há aberturas de ventilação (22 e 23) sendo a última provida de anteparo (26) para vedação de luz. O referido corpo é formado de duas peças (110 e 111) - (108 e 109) estas funcionando juntas telescopicamente. A placa de quartzo (17) pode ser substituída por outras substâncias que não só possam desviar as ondas sonoras e sejam ao mesmo tempo, ressoantes, mas ainda permitam a passagem dos raios violetas ou actínicos da luz. As ondas sonoras trazidas pela corrente de ar que chega, são projetadas contra o defletor (17), através do funil (16).

Uma grelha (25) de placas metálicas de pouca espessura e cobertas essa placas de negro-de-fumo (fuligem), cruzadas entre si, dividem a luz em feixes paralelos, o que a meu ver, aumenta a eficiência do aparelho. A peça 25 (fig. 2) e isolada em suas extremidades, como também a sua última placa metálica central, na qual se ajusta a peça D. A Peça 25 Fig. 1 é eletricamente ligada com os fios 44 e 39 por dois fios isolados, que passam através do centro da camisa isolada que existe entre as duas paredes metálicas, que se movendo telescopicamente uma na outra, constituem a peça D. Os dois conectores, assim como a peça 25, não tem comunicação com as paredes exteriores e interiores da peça D. A placa 17, como foi mencionado, é em todos os casos construída de modo a não obstruir a passagem dos raios violetas. Isto é importante, pois a minha descoberta consiste em que, por meio dos raios actínicos de luz, as ondas sonoras que os modulam podem ser transmitidas a distâncias consideráveis. No eixo longitudinal do corpo transmissor, há outra estrutura menor, que é o corpo do receptor (29) tendo na parte interna uma extremidade curva que contém o refletor é mantido em seu lugar por aparafusamento a um suporte filetado (28) que existe no tubo vertical (15).

No foco do espelho (30) existe uma peça semi-esférica (32) hermeticamente fechada e com vácuo interior, coberta de quartzo ou de qualquer outra substância permeável aos raios violetas, e contendo uma placa ou grelha de selênio (40) em posição vertical. A célula de selênio dispõe dos bornes 41 e 42, e mais um terceiro (52), que é usado, às vezes, com um fio de terra, pelo qual são eliminadas as descargas estáticas indesejáveis. A célula de selênio e seus acessórios são fixados pela haste isolada 53 ao suporte 78. Dois aparelhos, como o da Fig. 2, ajustados um diante do outro e a uma distância relativamente curta, podem ser usados para transmitir e receber acusticamente – quer dizer, sem o telefone (50) e também sem cooperação da placa de selênio (40). Então, para transmitir, o operador, depois de pôr em funcionamento o ventilador (11) e a luz de 18 (fig.2), falará através de um dos bocais 9 ou 10, fechando o outro. Para receber, parará o ventilador, e levará os bocais 9 e 10 aos ouvidos. O ventilador só é usado na transmissão. O aparelho, nesse ensejo, trabalha baseado nos assaz conhecidos princípios dos espelhos conjugados: e acho que a adição de certas qualidades de luz melhora os efeitos, assim na transmissão como na recepção. O aparelho assim considerado talvez não tenha grande valor comercial: mas eu o reivindico por que, a bem dizer, constitui o transmissor de meu telefone sem fio, da mesma maneira que a minha célula de selênio, aqui descrita, constitui o seu receptor. No meu telefone sem fio – isto é, com a cooperação de meus dispositivos fotofônicos – minha luz clara actínica é absolutamente necessária. Eu digo – “Luz clara actínica”, isto é: luz composta de radiações claras e radiações actínicas, como a que é produzida por uma lâmpada de arco, ou por um vidro azul em frente de uma fonte luminosa comum. Para transmitir a uma longa distancia dou preferência a luz composta gerada numa lâmpada de arco. Para produzir raios actínicos ou luz violeta, posso ajustar interna ou externamente ao defletor 17 uma fina película feita de apropriada substância diáfana. Assim, no alto do tubo 15 está montado um receptor telefônico (50), ligado ao circuito local (55), contendo uma bateria (51) e também incluindo a célula de selênio (40 -50). É mais do que sabido que a resistência do selênio amorfo varia inversamente a quantidade de luz a que está exposto, aproximadamente. Descobri que essa resistência varia mais particularmente de acordo com a intensidade ou densidade dos raios violetas ou actínicos, acusando com bastante precisão a presença dos mesmos. Neste aparelho, quando uma luz proveniente de estação distante atinge o selênio, a resistência dele varia de acordo com as variações da intensidade da dita luz, intensidade que, de sue turno varia com as ondas sonoras que incidiram sobre a sua fonte, como já descreveu, o receptor telefônico (50) reproduz esses sons com grande fidelidade. A pessoa que recebe pode então ouvir, utilizando-se do telefone (50) ou dos bocais 9 e 10 colocados aos ouvidos. Neste último, deve fechar a comunicação entre as peças 16 e 15 (fig.2). Constitui fato singular e importante o seguinte: Se o receptor for completamente removido, e não empregar-se o selênio, ainda assim o aparelho reproduzirá os sons, tal como foi descrito acima. Acho isto uma descoberta importante e considero-me em condições de lhe dar úteis finalidades.

Montado no corpo (29) (Fig. 2) e no foco do espelho há um tubo de Crookes, ou lâmpada catódica (31). Uma série de fios (35) em forma de coroa envolve a lâmpada e projeta sobre o espelho (30). As pontas desses fios são dobradas por dentro uma sobre as outras, radialmente, em ângulos retos com o eixo do corpo, terminam num pequeno círculo, cujo eixo coincide com o círculo de seu suporte. Uma das extremidades desta coroa é contraída para receber e em seu interior a célula de selênio. Estas duas séries de fios são ligadas eletricamente uma com a outra e com os bornes da placa de selênio (40). Os bornes 38 e 43 são destinados ao tubo de Crookes é sustentado por uma haste (53), montada num suporte (78), e é ligado a um oscilador (56 – Fig.1), munido de acessórios próprios, inclusive centelhadores (57) e condensador (59). A bateria primária de oscilador está representada em 58, com um adequado interruptor (60). O centelhador, como um todo, está designado pela letra A. Quando o interruptor 60 é levado à posição indicada, as centelhas, que passariam normalmente entre as esferas (57) dirigem-se para o tubo de Crookes, de maneira usual. Os raios produzido no tubo Crookes são transmitidos em todas as direções mas os que saem diretamente e os que refletidos pelo espelho são reunidos num feixe, juntamente com os da luz composta. (Relembramos, mais uma vez, que somente em 1907 De Forest “descobria” sua válvula de 3 eletródios, cujo sistema, composto de filamento, grade e placa, é, mutatis mutandis, o mesmo descrito, em 1901, pelo Padre Landell de Moura).

Em B (Fig.1), vê-se outro aparelho centelhador. A bateria (65) está ligada pela chave transmissora (66) e pelo interruptor (70) com o condensador (67) e a bobina de Ruhmkorff (68), tendo a distância explosiva e centelhadores, como é de uso. Um dos centelhadores é ligado a terra pelo fio 106, e o outro pelo fio 69´ aos pontos 34-35. Estando o interruptor (70) colocado na posição indicada, e a chave (66) premida de acordo com um código preestabelecido, haverá uma descarga oscilatória entre os centelhadores (69), e os pontos 34-35 enviará ondas etéreas. Acho que o refletor (30) serve para tornar paralelas essas ondas, ou pelo menos praticamente paralelas, e para aumentar a distância de transmissão especialmente em se empregando ondas curtas. A chave 66 serve assim para enviar ondas correspondentes aos sinais Morse, ou outros quaisquer, ou para chamar. Um coesor (71) esta ligado pelos fios 96 e 97 com os fios 39´ e com a coroa de fios acima descrita. Esses fios agem como antenas não somente transmitindo, mas recebendo as ondas hertzianas. O modo de usar tal coesor, para receber sinais, assim como o das suas partes associadas, será apreciado claramente através do relato de seu funcionamento. As ondas que chegam são remetidas ao coesor (71), como ondulações eletrostáticas ao longo dos fios, a partir dos pontos 34, 35, 65 e 61 e produzem a sua coesão. A Corrente da bateria (L) passa então através do coesor e dos enrolamentos da bobina de indução (N), também para o eletroímã (H), e efetua a descoesão do coesor (71) Da bobina N são tiradas ligações para o “chamador harmônico”, ou “uivador” (M), que descrevo a seguir: Consiste o mesmo num receptor telefônico e num microfone colocados juntos, com uma coluna de ar interposta, de tal modo que quando um começa a fazer vibrar o seu diafragma, logo faz vibrar o outro, e como estão ambos num circuito fechado reagem mutuamente, para produzir um formidável ruído, de considerável altura, capaz de servir para chamada do operador. O “uivador” está representado separadamente na Fig 4. Com a chave 75, como se vê na Fig.1 a corrente pode ser dirigida para a campainha (100); mas com ela ligada para 103, o “uivador” fica em circuito. Um registrador Morse (K) pode também ser empregado, com sua chave própria (74), e ligada ao contato inferior da chave 75.

Suponha-se agora que o operador distante pressione a sua chave de sinalização (66), produzindo ondas etéreas que serão lançadas das pontas dos fios 34 e 35. Tais ondas chegam, com foi descrito, e vão atuar sobre a campainha 100 ou sobre o uivador M, chamando a atenção do operador local. Este responde por meio de sua chave (66), e a conversa tem início por meio do bocal 9 e do fone 10 ou então sinais telegráficos são trocados com o auxílio das chaves próprias que podem ser ligadas diretamente ao uivador, e, se querendo. Para transmitir os impulsos elétricos, o operador fecha o comutador 69´ sobre o terminal 69. Para recebê-los, coloca a mesma chave no terminal 96 e fecha a chave 61. Para enviar sons articulados acende a lâmpada e fala através de um dos bocais 9 ou 10, fechando a outra. Para recebê-los, fecha a chave 53 e leva o 50 ao ouvido, ou os dois bocais 9 -10, fechando nesse caso, a ligação acústica entre 15 e 16, como foi dito acima. A bobina 56 serve para aumentar o potencial nas extremidades dos fios secundários,quando são usados, juntamente com a outra bobina (68), através dos fios secundários, com o intuito de telegrafar e por meio das ondas elétricas e dos feixes luminosos, como está amplamente explicado nas especificações das minhas aplicações de telegrafia sem fio, série n° 89.976. Os fios 96 e 97 são munidos de terminais comuns e as partes H, k, 72 e 100 são conectadas a resistências convenientemente calculadas. Com relação a Fig.4, o número 88 é uma caixa para conter carvão por trás do eletródio 90, ajustável por meio do parafuso 92 e da porca 95; e o 86 é um diafragma de carvão, com uma mola de retenção (87). Interpõe-se carvão granulado entre o dorso do eletródio e o diafragma, como habitualmente, e fazem-se as ligações através dos terminais 89. O número 78 é outra caixa contendo o magneto-receptor 79 que atua no diafragma 81 e dispões dos terminais 80. As caixas 88 e 78 são ligadas pelo tubo 82, que transporta uma coluna de ar e tem um alargamento (83), com aberturas de pressão (84), que também servem para expelir a vibrações. Em alguns casos, as aberturas (84) podem ser feitas numa extremidade, para que a coluna de ar forme uma coluna compacta. Quando se faz vibrar o diafragma-receptor, a coluna de ar vibra, e então o diafragma-transmissor produz mudanças na corrente do receptor, que reage e assim por diante, harmonicamente, produzindo uma longa e modulada nota musical, de altura cada vez maior e sustentada.

Por esta descrição se verifica que meu invento consiste, falando de modo geral, em projetar ondas quer elétrica, quer de natureza ainda desconhecida, de alta força de penetração, entre estações e imprimir na coluna assim estabelecida, as vibrações correspondentes às ondas verbais. Neste sentido, descobri que o som é aparentemente receptível sem aparelhos especiais. Não afirmo que todas as ondas sonoras ou vibrações produzidas por meu aparelho sejam limitadas ou afetadas pela coluna luminosa, mas sim que todas as ondas sonoras que partem de um mesmo local e se transportam juntamente com esta coluna chegam à estação receptora. Por ter havido várias formas de concebê-las, mas o que reivindico é sua aplicação. Peço também a prioridade dos meios de tornar paralelos todos os raios por meio de uma grelha tais como descrevi, e de alguns detalhes de estrutura do “uivador”.

Tendo assim descrito minha invenção, eis o que reivindico e desejo assegurar por carta Patente dos Estados Unidos:
1- Um sistema de transmissão de ondas, um gerador de ondas, e uma grelha com as suas partes recobertas de negro-de-fumo, como foi descrito pormenorizadamente.
2- Um sistema de telefonia sem fio, um dispositivo para chamada, compreendendo um microfone, um tubo que contém o referido microfone em uma extremidade e um receptor na outra e ainda um alargamento para permitir a comunicação entre o ar exterior e a coluna de ar interna, como foi descrito pormenorizadamente.
3- Um telefone sem fio, compreendendo uma fonte luminosa comum uma placa de vidro coloria em violeta, para interceptar os raios luminosos e caloríferos da dita luz, quando transmitindo os raios actínicos e ainda os meios para produzir sons vocais na passagem dos ditos raios actínicos e um dispositivo receptor de luz controlada, sensível aos ditos raio actínicos, como foi descrito pormenorizadamente.
4- Um telefone sem fio compreendendo uma fonte luminosa capaz de produzir raios actínicos, outra para gerar raios catódicos justamente na passagem dos ditos raios actínicos, meios para produzir sons vocais na passagem dos ditos raios catódicos, e um dispositivo receptor de luz controlada para reproduzir os sons vocais supramencionados, tal com foi minuciosamente descrito.
5- Um telefone sem fio, compreendendo um aparelho de iluminação comum um tubo Crookes, meios para produzir sons vocais, adjacentes ao dito aparelho de iluminação e um dispositivo pra receber luz controlada, colocado a certa distância como foi descrito pormenorizadamente.
6- Um telefone sem fio compreendendo uma fonte de luz comum com meios de tornar paralelos os raios de luz uma fonte de luz catódica meios para produzir sons vocais, ligados a fonte de luz comum e um dispositivo receptor de luz controlado colocado a certa distância como foi descrito pormenorizadamente.
7- Um telefone sem fio compreendendo uma fonte de luz comum e meios de tornar paralelos os raios da referida luz.
8- Uma fonte de luz catódica e meios para tornar paralelos este seus raios.
9- Uma grelha colocada na passagem da dita luz comum para modificá-la um dispositivo acústico para produzir sons vocais na passagem da dita luz assim modificada e um dispositivo receptor localizado a certa distancia e sensível a dita luz assim modificada, como foi substancialmente descrito.

Em testemunho do que assinei meu nome nestas especificações em presença de duas testemunhas subscritas.

Roberto Landell de Moura
Testemunhas: Jno M. Titter e Walton Harrison” [25]

      1. - Anexo 2
      2. TELEGRAFIA SEM FI0

Nota explicativa: neste anexo 2 apresentaremos a tradução da explicação que o Pe. Roberto Landell de Moura apresentou ao “The Patent Office of Washington”, na apresentação do pedido de patenteamento de seu invento Telegrafia sem Fio. Optamos por este procedimento, pela razão de podermos visualizar a copia original da descrição do aparelho e para mostrar ao estudioso e ao leitor a capacidade inventiva e a importância dos equipamentos. Sem esta descrição é difícil avaliarmos o alcance do invento. Na descrição do funcionamento deste aparelho, o telegrafo sem fio, podemos identificar uma grande quantidade de dispositivos que até hoje ainda são usados nos aparelhos de transmissão de sons. O original desta descrição foi utilizado por Ernani Fornari e se encontra em seu livro. [26]

Passaremos novamente a palavra ao Padre Roberto Landell de Moura, para apresentação de sua Carta Patente N° 775.846 concedida pelo Governo dos Estados Unidos da América, em 22 de novembro de 1904, motivado pelo requerimento apresentado a 16 de janeiro de 1902, série 89.976, entrado no Departamento de Patentes a 4 de outubro de 1901, série 77.576:
TELEGRAFIA SEM FIO.

A Carta Patente N°. 775.846 – Estados Unidos da América. Em 22 de novembro 1904
Departamento de Patentes: 22 de novembro de 1904
FIGURA 1 TELEGRAFO SEM FIO
FIGURA 2 TELEGRAFO SEM FIO
FIGURA 3 E 4 TELEGRAFO SEM FIO

"A quem interessar possa:
Saibam que eu; Roberto Landell de Moura, cidadão da República do Brasil, residente no distrito de Manhattan da cidade de Nova York, Estado de Nova York, inventei um novo e aperfeiçoado Telégrafo sem fio, de que dou a seguir completa, clara e exata especificação. Minha invenção relaciona-se a um sistema de telegrafia sem fio que emprega ondas elétricas comuns, quer em transmissões diretas, isto é: não refletidas - quer refletidas e de curto comprimento, em combinação com certos aparelhos e dìsposrtìvos próprios para gerar e da mesma maneira, transmitir e receber sinais gráficos, harmônicos ou fonéticos, através do espaço ou, possivelmente, através da neblina e da água. De acordo com a minha invenção, está previsto um circuito local que pode ser fechado, tanto constante quanto intermitentemente, e ao qual está ligado um dispositivo produtor de som contínuo, ou intermitente. Este, que recebe energia de uma bateria focal, tem sua ação modíficada, quanto à intensidade, de acordo com os ímpuIsos elétricos intermitentes da estação transmissora, que atua sobre um dispositivo de resistência variável, que pode ser um coesor. Para os sons contínuos, a resistência variável não atua especificamente como coesor, mas, mais propriamente, como um microfone granular muito sensível, cuja resistência é controlada pelos impulsos da estação transmissora, sendo que essas variações de resistência afetam a intensidade do som, por afetarem a corrente local que alimenta o produtor do som. Embora eu assim especifique e, a seguir, descreva o modo de usar um circuito local, desejo, contudo, declarar que há outros meios de utilizar o meu invento. 0 princípio básico repousa simplesmente nas modificações da resistência do microfone, e a: funções de receptor podem ser exercidas por qualquer detector de rádio do tipo do de Branly, provido de um eletródio controlável. Se bem que eu fale, adiante, de impulsos refletidos e de ondas de curto comprimento, estas não são essenciais, não obstante eu as empregue em alguns casos e a distâncias relativamente curtas, de modo a obter melhores efeitos. O mesmo vale com relação aos raios de luz, ou outros raios ativos, usados conjuntamente com as ondas refletidas.

Minha invenção é ilustrada pelos desenhos anexos, nos quais os números e as letras indicam sempre as mesmas peças em todas as figuras. A Fig. 1 é o esquema elétrico de todo o aparelho usado em uma estação. A Fig. 2 vem a ser o corte que mostra parte do receptor e do transmissor. A Fig. 3 é uma vista, de frente, da parte superior do mesmo, e a Fig. 4 é um detalhe do dispositivo de produzir, foneticamente, os sinais telegráficos. Comporta o aparelho um suporte (A), uma estrutura maior (B), uma estrutura menor (C), um centelhador (D), o receptor (E) e outro centelhador (F). A peça 1 do suporte A está monta da sobre tubos concêntricos (2), dispostos verticalmente, sendo o de fora móvel e comandável por um dispositivo de manivela (4), pinhão (3) e cremalheira, de tal jeito que a estrutura B pode ser levantada ou baixada à vontade. A estrutura B consiste em duas caixas, cilíndricas ou cúbicas (5), ajustáveis telescopicamente uma dentro da outra, sobre uma das quais estão montados um telescópio (6), um nível de bolha de ar (6a) e uma bússola (7a), com o fim de orientar a estrutura na direção de uma estação distante. Dentro, há um espelho parabólico (8) e uma fonte luminosa (9), para ser empregada em meu Telefone sem fio descrito detalhadamente em outro requerimento meu.

Uma grelha (10), feita de metal recoberto de negro-de-fumo, está colocada na extremidade exterior da estrutura, com o intuito de tornar paralelos os raios de luz do espelho (8). A estrutura menor (C), cilíndrica ou cúbica, montada sobre o suporte 11, concentricamente à estrutura maior (B), consiste numa cobertura intermediária de material isolante (12), na qual está montado um cilindro metálico (13), com uma das extremidades hemisféricas, na qual está disposto um espelho côncavo (14), feito preferencialmente de metal. No interior dessa estrutura, há um suporte isolado (15), e sobre ele um feixe de fios (16 e 18), em forma de coroa, tendo uma extremidade contraída para suportar uma célula de selênio (21), e as extremidades da coroa terminadas em pontas ou antenas (17 e 19), dobradas radialmente e em ângulos retos, na direção do eixo do cilindro. Um tubo de Crookes (20) e uma célula de vidro hermeticamente fechada (21), em que foi feito vácuo, não tendo essa peça nenhuma comunicação pneumática com a outra, estão previstos para ficar parcialmente envolvidos pelos fios (estes equivalem a caixas de Faraday). A célula de vidro hermeticamente fechada tem a forma hemisférica e é empregada para conter uma placa de selênio, como descrevi em meu outro requerimento. A célula de selênio é aqui indicada porque pode ser usada para telegrafar-se com luz intermitente, em conexão com a lâmpada 20, que exerce ação nas placas de selênio das estações transmissora e receptora.

0 fio 23 está ligado ao feixe de fios 16 e 18 e também ao 44 sozinho, para transmitir, e ao 46 sozinho, para receber. O interruptor 38 é aberto para a transmissão, mas fechado para a recepção. Os fios 46 e 25, e as peças 55, 58, 56 e 60 são providos de resistências convenientes. Estão previstas as conexões elétricas 24 e 25 para o tubo de Crookes, da maneira usual. Este é excitado, como habitualmente, por meio de um centelhador (D), que consiste em uma bateria (30), uma bobina de Ruhmkorff (31) - a ele ligada e controlada por um interruptor (32) - um condensador (33), um par de esferas polidas (34) e um fio de terra (35) munido de um interruptor (36) para quando se desejar tirar de função, como excitadores, as esferas polidas, e para ligar os fios à terra, como proteção contra relâmpagos ou acidentes. O fio 22 está ligado ao fio 37, que se acha munido de um comutador de terra (38), que deve ser fechado para receber, como foi dito. O interruptor 32 pode, às vezes, ser substituído em lugar da chave 41 - isto é, quando as conexões secundárias das bobinas 43 e 31 cooperam para aumentar a diferença de potencial entre os terminais dos secundários da bobina 31. Então, estando 44 fora de ação, à conexão é feita somente com a antena, por meio de 23; 24 liga 23 e 22 a 25, e à sua outra extremidade (22) liga-se apenas a 37; 37 liga-se a 38, e este a 45, pelo terra. Neste caso, o interruptor 36 está ligado a 34, onde se produzem as descargas oscilantes, e as interrupções convencionais são feitas pela chave 32. Para transmitir por lampejos luminosos, uso o mesmo dispositivo, estando o interruptor 36 em posição neutra, assim como os terminais 34. Para receber por lampejos luminosos, uso os mesmos dispositivos descritos em meus já mencionados requerimentos anteriores.

Ainda hão de ser especialmente assinalados: um dispositivo próprio de sinalização (F), consistente de uma bateria local (39), um interruptor (40), uma chave de Morse.(41), um condensador (42) e uma bobina de Ruhmkorff (43), munida de esferas polidas (44), de modelo comum. De uma dessas esferas, um fio (45) liga a terra, é outro fio (46) liga à coroa de fios 16 e 18. Essa coroa, que pode variar indefinidamente de forma, é usada na parte interior da peça C somente quando trabalha com ondas curtas e, então, somente quando se desejar usar a luz de 18 ou de C. O coesor 50 está ligado a uma bateria local (51), munida de um comutador (52), sendo este adaptado de modo a pôr em contato a bateria, ora com 53, ora com 54. O descoesor está indicado imediatamente à esquerda do coesor, e consiste em um electroímã (55) munido de uma armadura (56), do modelo geralmente usado nos coesores, sendo a referida armadura adaptada para bater no tubo do coesor 50. O descoesor é ligado, pelo fio 57, ao fio 25, e 57 pode ligá-lo a 53, 59 e 54, por meio do comutador 52. O contato 58, que está adaptado para estabelecer contato com a armadura 56, está ligado ao fio 25'. 0 fio 59 serve para estabelecer comunicação entre a bateria 51 e a campainha 60. Um aparelho registrador Morse, de modelo comum e munido de todas as peças auxiliares que acompanham tal aparelho (61), é controlado por um interruptor (62), conectado, quando fechado, ao contato 54 do interruptor 62. Do contato 53, um fio (63) conduz ao primário (64) de uma bobina de indução, partindo, desse primário, um fio (65) para o receptor sonoro 66. Esse receptor está indicado com maiores detalhes na Fig. 4. Sobre a armação do receptor estão montados terminais (67), sendo que o parafuso do lado esquerdo é isolado, como está indicado. Um diafragma (68), protegido por um disco (70) de material isolante, está montado diretamente sobre a armação, e sobre ele existe, espalhada, uma camada de carvão moído (69). Esse carvão é mantido pelo botão de carvão (69a), sobre o qual está montada uma caixa isolada (70a). Uma mola de lâmina (71) comprime normalmente o diafragma 68, suavemente, sobre o carvão moído, e uma mola semelhante (72) comprime o botão 69a para baixo. Uma peça, tronco-cônica (73), é toda perfurada em anéis concêntricos, destinando-se esses furos (74) à emissão de sinais fonéticos. Por sobre a armação está montado um diafragma (75) de ferro, e, conectados ao magneto 77 existem os terminais 76 e 78.

Eis como se opera com o meu aparelho, empregando-se ondas curtas refletidas ou ondas luminosas: - o interruptor 36 é ligado ao fio 35, e o interruptor 32 é fechado, como mostra a Fig. 1; desse modo, excita-se o tubo de Crookes que entra a emitir raios catódicos. 0 manipulador 41 está agora disposto da maneira adequada em telegrafia Morse. Em conseqüência, a bobina de Ruhmkorff (43) faz com que salte a centelha entre as esferas. Estando o fio 45 ligado a terra, as antenas 17 e 19 emitem ondas etéreas, semelhantes às ondas hertzianas. Calcando a chave 41, o operador faz centelhar a bobina de Ruhmkorff (43) continuamente, interrompendo-se as centelhas todas as vezes que for a dita chave levantada. Os raios catódicos, produzidos pelo tubo de Crookes, são naturalmente refletidos pelo espelho (14) e seguem a direção geral do eixo da armação. Esses raios catódicos, como as ondas actínicas e etéricas acima descritas, aparentemente se reforçam umas às outras, em seus efeitos, e o resultado é que o telégrafo é mais eficiente quando todas as radiações são empregadas. Os raios catódicos, emitidos em oscilação contínua, não são controlados diretamente pela chave transmissora; eles apenas facultam a propagação das ondas hertzianas, controláveis pela citada chave. Quando o centelhador D está parado, os sinais telegráficos não são tão distintos como quando o mesmo está em ação. Agora, o funcionamento do receptor: as ondas que chegam da estação transmissora, produzindo efeitos nas coroas de fios 17 e 19 e na peça 10, que age como uma capacidade ligada às coroas de fios ou antenas, causam perturbações nos fios 23, 46, 38, 37 e 25, e vão ao coesor 50, por isto mesmo afetando a sua resistência. O resultado é que, quando o aparelho está na posição indicada na Fig. 1 em E, a bateria 51 envia corrente por 50, 60, 59, 57, 56 e pelo fio 58, de volta à bateria. Em sendo excitado o coesor, a campainha toca. Advertido, o operador apenas move o comutador 52, para receber a mensagem: para baixo, de modo a empregar o contato 54 e fechar o interruptor 62, caso deseje recebê-la pelo aparelho Morse: para cima, empregando o contato 53, se quiser utilizar o receptor fonético.

Para receber as mensagens por meio de modificações produzidas em um som contínuo, em concordância com os impulsos intermitentes enviados pelo transmissor, o contato 58 deve ser firmemente comprimido contra a armadura 56, o interruptor 62 deve ser aberto e o comutador 52 colocado sobre o contato 53. Sendo o coesor excitado pelo fechamento da chave, na estação distante, estabelece-se o seguinte circuito: 51, 50, 50´, 66, 65, 64, 63, 57 (através de 52 por 53), 58, para a bateria. 0 primário 64, recebendo assim energia, excita o secundário 79 e estabelece uma corrente alternada secundária, local, através dos fios 80 e 81 (Fig. 4), e do magneto 77. Este, agindo sob a ação dessa corrente, faz o diafragma 75 vibrar violentamente. As vibrações do diafragma 75 fazem com que seja a coluna de ar da peça 73 alternadamente comprimida e rarefeita, e conseqüentemente vibre o diafragma 68 e varie a resistência de carvão moído. 0 comprimento da coluna de ar deve ser tal que o diafragma 75 provoque a vibração do diafragma 70 dentro de certo espaço de tempo predeterminado, com o fim de amplificar as variações da corrente da bateria que atravessa o carvão moído. Esse receptor fonético age, até certo ponto, como "relay" automático. É claro que a ação mecânica da coluna de ar em vibração pode ser aplicada para aumentar ou diminuir a resistência do carvão moído, e, se isso for feito em momento oportuno, o efeito da corrente que passa através do carvão moído pode ser aumentado. A vibração do diafragma 75, produzindo na peça 73 a condensação e a rarefação da coluna de ar já mencionada, faz com que os furos 74 emitam uma nota musical, que descobri ser semelhante a uma nota de flauta.

O efeito geral é mais ou menos o mesmo que seria produzido se uma pessoa fizesse emitir um sinal Morse por uma flauta, representando uma nota curta - um ponto, e uma nota relativamente longa - uma linha. A ligação de um interruptor é necessária para os efeitos prolongados.

Tendo assim descrito minha invenção, reivindico, como novos, e desejo assegurar por Carta Patente:
1 - Um sistema de telégrafo sem fio, compreendendo: os meios de gerar duas ou mais espécies de ondas, de comprimentos diferentes ou de períodos diferentes; os meios de dirigir as ditas ondas para uma estação distante, e de modificar uma ou mais das espécies, de acordo com um código; e mais os meios de, na estação distante tornada sensível por algumas das ondas, corresponder com mudanças ou modificações em outras, para assim reproduzir o sinal;
2 - num sistema de telegrafia sem fio, ou seja: um transmissor compreendendo um conjunto de antenas de ondas hertzianas, uma fonte de raios catódicos, uma fonte de ondas actínicas, meios pelos quais as mudanças de um código preestabelecido possam ser impressas em um ou mais dos ditos sistemas de ondas, e meios para dirigir todas as ondas a uma estação distante;
3 - num sistema de telegrafia sem fio, ou seja: um receptor compreendendo elementos sensíveis a ondas etéreas, devidas à projeção da luz e às perturbações elétricas ou às descargas oscilatórias; meios para combinar os efeitos dos referidos elementos, e meios de efetuar o alinhamento com uma estação transmissora;
4 - num aparelho de telegrafia sem fio, ou seja: uma caixa em que estão internamente colocadas uma fonte de luz, uma fonte de raios catódicos, terminais de descarga para propagação das ondas hertzianas; meios de controlar a produção de ondas e de raios, e meios de dirigir a dita caixa para uma estação distante;
5 - um telégrafo sem fio, compreendendo um aparelho centelhador para produzir ondas hertzianas; meios para atuar, à vontade, sobre o dito aparelho centelhador, com o fim de produzir sinais; meios para produzir uma luz catódica substancialmente na passagem das ditas ondas hertzianas, e um receptor sensível às ditas ondas hertzianas, e colocado numa estação distante;
6 - um telrafo sem fio, compreendendo um aparelho centelhador para transmitir ondas etéreas para o espaço; meios para atuar, à vontade, sobre o referido aparelho centelhador, a fim de produzir sinais; um tubo de Crookes para produzir raios catódicos, essencialmente na passagem das referidas ondas etéreas, e um aparelho receptor distante, sensível às mencionadas ondas etéreas;
7 - num aparelho de telegrafia sem fio, ou seja: uma caixa exterior tendo um refletor e uma fonte de raios violetas, dispondo, a parte interior da caixa, de pontas de descarga e de um elemento sensível às ondas de luz; meios de produzir variações nas ondas de luz ou nas ondas produzidas pelas descargas das pontas, e conexões do elemento sensível e das caixas para aproveitamento das ondas que chegam, ou de seus efeitos resultantes, a aparelhos receptores convenientes;
8 - um telégrafo sem fio, compreendendo um mecanismo para produzir raios catódicos; um aparelho centelhador para produzir ondas etéreas, essencialmente na passagem dos referidos raios catódicos; uma chave manual (manipulador) para controlar as referidas ondas etéreas, e um aparelho receptor, sensível às referidas ondas etéreas;
9 - um telégrafo sem fio, compreendendo um aparelho centelhador, um tubo de Crookes por este atuado, um refletor adjacente ao mencionado tubo de Crookes; meios de gerar ondas etéreas no referido refletor; uma chave telegráfica para controlar a produção das referidas ondas, e um aparelho receptor, sensível às mencionadas ondas etéreas.
Em testemunho do que, assinei meu nome nestas especificações, em presença de
duas testemunhas abaixo assinadas.
ROBERTO LANDELL DE MOURA
Testemunhas: Walton Harrison.e Everard B. Marshall. " [27]

1.5 - Anexo 3

      TRANSMISSOR DE ONDAS

Nota explicativa: neste anexo apresentaremos a tradução da explicação que o Pe. Roberto Landell de Moura apresentou ao “The Patent Office of Washington”, na apresentação do pedido de patenteamento de seu invento Transmissor de Ondas. Optamos por este procedimento, pela razão de visualizar a copia original da descrição do aparelho e para mostrar ao estudioso e ao leitor a capacidade inventiva e a importância dos equipamentos que Pe. Roberto criou e desenvolveu e que se tornou para a humanidade um meio de comunicação nobre e excelente. O alcance de seus inventos ultrapassava a barreira do seu tempo. Sem o conhecimento da descrição de seu invento, aqui no caso Transmissor de ondas se torna difícil a compreensão da importância e do seu alcance inventivo. Na descrição do funcionamento deste aparelho, o Transmissor de Ondas podemos identificar uma grande quantidade de dispositivos que até hoje ainda são usados nos aparelhos de transmissão de sons. O original desta descrição foi utilizada por Ernani Fornari e se encontra em seu livro. (28) Outro invento do Pe. Roberto Landell de Moura de grande valor e que sérvio de fundamento para a Rádio Telefonia, foi o chamado Transmissor de Ondas. Ele formulou um requerimento a fim de adquirir a Carta Patente.
Especificações que formam parte integrante da Carta Patente N° 771.917, datada de 11 de outubro de 1904.

TRANSMISSOR DE ONDAS
A Carta Patente N°. 771.917 – Estados Unidos da América. Em 22 de novembro 1904.
Departamento de Patentes: 11 de Outubro de 1904
FIGURAS N°. 1 -2 -3 -4 -5 - TRANSMISSOR DE ONDAS
FIGURA N°. 6 - TRANSMISSOR DE ONDAS

"A quem interessar possa:
Saibam que eu, Roberto Landell de Moura, cidadão da República do Brasil, residente no distrito de Manhattan da cidade de Nova York, Estado de Nova York, inventei um novo Transmissor de ondas, de que faço as seguintes especificações: Minha invenção relaciona-se à transmissão de mensagens, de um ponto a outro, sem auxílio de fios, ou, resumidamente, à sinalização através do espaço. Tem como objetivo produzir melhores resultados com aparelhos simplificados, utilizando certos princípios que eu mesmo descobri. Até agora, quando se tinham de transmitir sinais, a transmissão era feita por meio de aparelhos de funcionamento manual. Em alguns casos, estes foram substituídos por mecanismos automáticos; mas o manejo de tais mecanismos, ou a manipulação de uma chave, requer certa habilidade e experiência do operador. De acordo com a minha invenção, produzo, primeiramente, oscilações elétricas e tremulações de luz, por meio de vibrações sonoras, que podem ser as da voz humana ou as de outros sons. Emprego, então, essas oscilações elétricas ou luminosas assim produzidas, para telefonar ou telegrafar através do espaço. Em tal transmissão, e especialmente telefonando, posso usar invenções semelhantes às que descrevi em meu requerimento anterior, protocolado a 4 de outubro de 1901, Série N° 77.576. Para produzir as duas espécies de oscilações mencionadas, inventei uma disposição de circuitos e de certos aparelhos que denominei "interruptor fonético".

Meu interruptor fonético consiste, essencialmente, em um par de contatos capazes de reproduzir os tons da voz ou as vibrações partidas de qualquer fonte que possa controlar o circuito primário de uma bobina de indução de alta-freqüência, primário este que está ligado ao primário de uma bobina de Ruhmkorff, para transmissão. As vibrações sonoras no interruptor são transformadas em ondas elétricas ou luminosas, as quais, passando para a estação-receptora, são aí recebidas e atuam sobre aparelhos adequados, por meio dos quais podem elas tornar-se perceptíveis com o emprego de um receptor telefônico, de uma lâmpada, de um registrador Morse, ou coisa semelhante.

Minha invenção está detalhadamente descrita nas seguintes especificações, e ilustrada nos desenhos anexos:

A Fig. 1 é um corte de meu interruptor-fonético com todas as partes representadas. A Fig. 2 representa uma chave-reguladora para o núcleo da bobina de indução. As Figs. 3 e 4 são diagramas que mostram as conexões do circuito primário do interruptor. A Fig. 5 é um diagrama dos circuitos-transmissores, com os aparelhos representados em seus lugares. A Fig. 6 é um diagrama semelhante, mostrando as ligações do aparelho, mais detalhadamente. Com relação à Fig. 1, A é uma caixa, ou invólucro não-condutor, e A' é uma tampa. Esta tampa é feita de modo a conter uma câmara ressonante, na base da qual existe um disco perfurado A2, correspondente ao bocal do telefone comum e preenchendo as mesmas funções, quando a tampa A' é retirada. Por baixo do disco A2, e sustentado pelo invólucro, está um diafragma (a), tendo em seu ponto central uma ligeira depressão (a'). Colocada no interior do invólucro e apoiada em saliências adequadas, há uma bobina de indução (D), que tem o enrolamento primário d e o secundário d', em volta de um núcleo de ferro doce (d2). Esse núcleo é oco, e em seu interior existe um eixo central (B), suportado, em sua extremidade superior, pela extremidade perfurada do núcleo, e, em sua extremidade inferior, é fixado interiormente por meio da porca b atarraxada na extremidade inferior do núcleo, e da guia b4 O eixo tem uma cabeça (B'), pela qual pode ser manipulado. A função do ajustamento é permitir que a estreita abertura de ar, entre a extremidade do eixo, em b2, e o diafragma a, em a'. seja de tal modo disposto que as vibrações da palavra articulada produzam um movimento contínuo, rápido e regular, e interrompam o circuito. Por meio da chave K (representada na Fig. 2), a porca b pode ser aparafusada quando o eixo está ajustado, introduzindo as hastes k e k4 da chave nos orifícios, b3 da porca. Fixado na extremidade superior da tampa A', existe um tubo flexível (C), com um bocal (c). Para fazer uso do aparelho, o operador fala de acordo com um código preestabelecido, ou de qualquer outra maneira, pelo bocal c. As ondas sonoras propagadas através do tubo, e passando através da abertura central da tampa Az, atuam sobre o diafragma a, produzindo uma vibração correspondente, em conseqüência da qual, se os ajustamentos tiverem sido corretamente feitos, uma série rápida de contatos e interrupções ou de sucessivos contatos terá lugar entre o diafragma e a extremidade b2 correspondendo sua freqüência às ondas que produzem.

Esses contatos e interrupções determinam impulsos ou variações da corrente no circuito primário 1 2, estando as conexões do circuito claramente representadas nas Figs. 3 e 4. Na figura 3, o fio terminal 2 da bateria local m está ligado ao eixo B em sua extremidade inferior ou cabeça, enquanto o fio primário 1 passa diretamente para o enrolamento, e daí para a ligação n com o diafragma. Na Fig. 4, o fio primário 1 passa através da bobina para o diafragma, e o fio 2 está ligado à extremidade b2 do eixo. E claro que, em ambos os casos, a produção e as interrupções de contatos têm como conseqüência produzir pulsações de corrente no enrolamento primário, correspondendo muito aproximadamente aos tons da voz ou aos sons por ela produzidos. Certamente é impossível obter um ajustamento de contato tão perfeito que reproduza todos os harmônicos e torne perfeita a articulação; mas, por outro lado, para obter os efeitos da descarga a que vou agora referir-me, penso ser melhor obter interrupções positivas do que simples mudanças de resistência no circuito. Não é necessário dizer que posso ajustar os contatos de modo a produzir contatos constantes e pressão variável, requisitos para que seja perfeito o trabalho microfônico; mas, com intuitos práticos, acho que é melhor produzir os impulsos do modo que descrevi. Considerando agora a Fig. 5, vou descrever as conexões de meu aparelho, para obter um sistema eficaz. Como a Fig. 6 mostra as mesmas partes, com maiores detalhes, as referências podem aludir também às conexões detalhadas. Nessas figuras, F é uma bobina de Ruhmkorff ou outra qualquer bobina de indução e de alta potência, ajustada de maneira a produzir uma centelha de certo comprimento - digamos de cerca de um quarto de polegada ou mais.

O enrolamento primário (f) dessa bobina está ligado ao circuito 15 16, que inclui a bateria principal M e o interruptor fonético A. 0 enrolamento secundário da bobina F, assinalado por está ligado pelos fios 7 e 8 aos terminais 21 e 20 do feixe de fios irradiantes, que podem ser de forma comum ou especial de qualquer condutor aéreo, com ou sem terra de um dos lados. Um par de terminais (11 e 12), para produzir centelha, está previsto, para ser intercalado no circuito 7 e 8, pelo simples fechamento do interruptor S; por meio do contato s', estando (fios de ligação marcados (9 e 10). Está também ligado ao circuito secundário, por meio dos fios 13 e 14, um condensador (G) de capacidade conveniente. O circuito primário 15 16 vai da bobina de Ruhmkorf aos terminais primários da bobina de indução D, no interruptor fonético. O enrolamento secundário d' está ligado a um circuito local (19), que contém um receptor telefônico (T), e o circuito primário inclui uma lâmpada (E), que pode servir tanto para transmitir quanto para receber mensagens. Existe também um condensador (G), de capacidade conveniente, intercalado no circuito primário. A maneira de usar o sistema descrito é a seguinte: Para transmitir ondas hertzianas, correspondentes a vibrações sonoras, o interruptor S' é fechado, o interruptor S é aberto, e o operador passa a produzir os sons desejados, por meio do bocal c dc interruptor fonético. Uma sucessão de impulsos é assim produzida no circuito primário da bobina F, efeito este que é aumentado pela presença do condensador G, que absorve o excesso de corrente, contribui para a rápida desmagnetização da bobina de indução, e impede, ainda, a produção de centelhas entre o diafragma e a ponta do eixo. Estes impulsos no primário, que são muito rápidos e que atingem cerca de quinhentos a novecentos por segundo, quando a ajustagem é adequadamente feita, produzem impulsos de alto potencial no secundário.

Para produzir oscilações de luz por meio do interruptor, na estação transmissora, emprego a voz humana natural, de preferência, porque as tremulações produzidas, correspondendo, em forma e freqüência, aos sons iniciais, e sendo estes convenientemente reproduzidos com o auxílio de aparelhos adequados, na estação receptora, permitem o reconhecimento mais ou menos perfeito dos sons originais, e visto como muitas palavras ou tons podem ser reconhecidos por seu valor intrínseco, tanto como por qualquer valor que lhes possa ser emprestado por meio de qualquer código arbitrário, um número suficiente de palavras distintas pode ser selecionado, para constituir um código completo e muito eficiente. E claro que outras fontes de vibrações sonoras podem ser empregadas para substituir a voz humana. Assim, para produzir oscilações elétricas por meio do mesmo interruptor, pode ser usada, na mesma estação transmissora, uma fonte de sons constituída de um instrumento- musical semelhante a um pequeno órgão, tendo um conjunto de palhetas ou de tubos com dispositivos de controle e um ou mais tubos acústicos ligados ao bocal do tubo-interruptor. Fazendo vibrar então fortemente o diafragma do interruptor, este produz oscilações de luz ou de eletricidade que podem ser recebidas, depois de transmitidas, por meio de qualquer aparelho convenientemente sensível. Em adição a este método de transmissão por meio de ondas elétricas ou luminosas, como disse, algumas das particularidades aqui descritas pode ser usadas juntamente com os meus outros sistemas. Em um desses sistemas, emprego ondas ou sinais intermitentes de luz, para transmitir sinais de código. No caso presente, posso empregar a lâmpada E, de modo análogo, produzindo as variações iniciais de corrente por meio do interruptor fonético.

Se as pulsações de luz forem demasiadamente rápidas, pode-se regular o ajustamento dos terminais fixos e do diafragma, até que a amplitude das vibrações seja suficiente para eliminar todos os tons, menos os fundamentais. De fato, pode ser dado mais peso ao diafragma, se assim for preciso, ou suas pulsações podem ser, de outro modo, retardadas. No caso da transmissão ser feita com ondas de luz, emprego o refletor e posso usar também telas de vários materiais, tais como lâminas de vidro colorido, e, se me aprouver, substituir a lâmpada indicada por uma lâmpada catódica, do tipo descrito em meu outro requerimento, ou qualquer outra espécie de luz. Observe-se que o mais importante e, de fato, o aspecto essencial de meu invento é o emprego de um transmissor que se liga e desliga por efeito das vibrações sonoras, fazendo com que as ondas de luz ou eletromagnéticas transmitidas correspondam, de modo bem aproximado, às ondas sonoras pelas quais são elas produzidas.

Tendo assim descrito meu invento, o que reclamo, e desejo assegurar por Carta Patente, é:

1 - Em um sistema de sinalização sem fios, uma bobina de indução, um circuito de descarga ligado ao secundário da referida bobina, um circuito de interrupção e um gerador de corrente ligado ao primário da referida bobina; e os meios para acionar o mencionado interruptor de circuito, para ligar e desligar o circuito primário, de acordo com as vibrações sonoras, por meio das quais as pulsações de corrente podem ser produzidas no primário, correspondendo aos sons por elas produzidos, ou deles se aproximando, como substancialmente descrevi;
2 - em um sistema de sinalização elétrica, sem fios, uma bobina de indução, um circuito de descarga, tendo um fio terminal irradiante, ligado ao secundário da referida bobina, um gera dor apropriado de corrente, ligado ao primário da bobina; e meios para estabelecer e cortar a ligação com o circuito primário, adaptados para serem atuados pelas vibrações sonoras, como foi substancialmente descrito;
3 - em um sistema de sinalização elétrica, sem fios de ligação, um circuito primário gerador de energia, um circuito de descarga, secundário; meios para ligar e interromper, rápida e repetidamente, o circuito primário, dispostos e adaptados estes meios de modo tal que possam entrar em funcionamento por meio de vibrações sonoras, como foi substancialmente descrito;
4 - em um sistema de sinalização elétrica sem fios, uma bobina de indução, um circuito de descarga secundário, um circuito primário e um gerador de corrente, um dispositivo fonético dispondo de contatos incluídos no referido circuito primário, e meios para fechar e abrir periodicamente os referidos contatos, e assim produzir as correspondentes pulsações de corrente nos circuitos primário e secundário, como foi substancialmente descrito;
5 - em um sistema de sinalização elétrica sem fios, uma bobina de indução e um circuito de descarga secundário, portanto, um circuito primário, portanto, com um gerador de corrente e um circuito interruptor periódico, nele incluído, juntamente com os meios inerentes ao referido circuito primário, para produzir raios de luz de intensidade variável, correspondentes às pulsações de corrente nos circuitos primário e secundário, como foi substancialmente descrito;
6 - um interruptor fonético ou transmissor para ligar e desligar, para circuitos de sinalização, compreendendo uma caixa ou invólucro, uma bobina de indução em seu interior, um par de contatos montado sobre ela, conexões de circuito para o circuito secundário e outras ligações de circuito, partindo do primário para o par de contatos, como foi substancialmente descrito;
7 - em um sistema de sinalização elétrica sem fios, a combinação dos seguintes componentes: - uma bobina de indução; um circuito secundário de descarga, para a dita bobina; terminais de descarga, ajustáveis, e um condensador intercalado no dito circuito; um circuito primário e um gerador de corrente nele incluído; um interruptor de circuito periódico no referido circuito primário; uma lâmpada elétrica intercalada no referido circuito primário e um condensador também ligado no circuito primário, como foi substancialmente descrito;
8 - um interruptor fonético para telegrafia sem fio, compreendendo uma caixa ou invólucro, um diafragma, uma tampa perfurada, cobrindo o diafragma; uma câmara sonora, dentro de uma segunda tampa com um tubo-condutor e um bocal, portanto; um eixo de contato, ajustável, alcançando uma distância muito próxima ao diafragma e formando com este as terminais de um circuito primário, juntamente com os meios de fixar o dito eixo ao núcleo, quando ajustado; como foi substancialmente descrito;
9 - em um sistema de sinalização elétrica sem fio, uma lâmpada elétrica, um circuito e um gerador de corrente para ele, e um interruptor de circuito periódico adaptado de modo a estabelecer e interromper o referido circuito, com os meios de atuar sobre o referido interruptor, por meio de vibrações sonoras ou tons musicais, por intermédio dos quais podem ser produzidas variações de irradiação da referida lâmpada, correspondentes às referidas vibrações ou tons, como foi substancialmente descrito;
10 - em um sistema de sinalização elétrica sem fio, uma lâmpada elétrica, um circuito e uma fonte de corrente a ele destinada; um interruptor periódico no dito circuito, adaptado de modo a estabelecer e interromper o mesmo, quando atuado; um condensador conectado ao circuito, e meios de atuar sobre o interruptor por intermédio de vibrações sonoras ou tons musicais, por meio dos quais pode ser produzida uma série de pulsações de corrente, com as correspondentes variações de irradiação da lâmpada, como foi substancialmente descrito.
11 - em um aparelho de transmissão para sistemas de sinalização sem fio, um circuito primário, um interruptor periódico e, incluída, uma lâmpada elétrica, um circuito secundário tendo terminais de descarga adaptados de modo a produzir ondas eletromagnéticas; uma bobina de indução tendo os seus enrolamentos nos circuitos primário e secundário, respectivamente, e meios de atuar sobre o referido interruptor de circuito, por intermédio de vibrações sonoras, como foi substancialmente descrito.
Em testemunho do que, aqui assinei meu nome.
ROBERTO LANDELL DE MOURA.
Testemunhas: Daniel B. Tamagno e Eugene M. Berard. " (28)

      1. Artigos e notícias de seus inventos.

No início do século, saíram vários artigos em Jornais sobre o padre inventor Roberto Landell de Moura, tanto em São Paulo assim como no Rio de Janeiro. Em data de 10 de dezembro de 1900, o N° 28 de “La Voz de Espanã”, em São Paulo, em uma de suas colunas saiu um sensacional artigo escrito pelo Dr. J. Rodrigo Botet, sobre o misterioso Padre Roberto Landell de Moura, que com seus inventos estava suscitando os mais variados comentários. A tradução do artigo segue abaixo:

“O Gouraudifone.

Um jornal da capital Federal atribuiu a invenção desse aparelho, que tem a propriedade de transmitir a voz humana a uma distância de oito dez ou 12 quilômetros sem necessidade de fios metálicos, ao engenheiro inglês Brighton. O diário a que me refiro está mal informado. Nem a invenção do sistema de transmitir a palavra a distâncias é recente nem foi um inglês o primeiro sábio que resolveu satisfatoriamente esse árduo problema, que envolveu os mais intricados princípios físico-químicos que podem oferecer-se a Ciência humana. O que primeiro penetrou e descobriu os grandes segredos da telúrica etérea com glória e proveito, faz pouco mais ou menos um ano foi um brasileiro, foi o nobre sábio o Padre Roberto Landell de Moura. Porque acompanhei passo a passo o estudo de seus inventos sobre telegrafia e telefonia, com e sem fios; porque fui testemunha presencial de varias experiências, todas prodigiosas; e porque tive a honra de me ocupar do sábio e de suas eminentes obras em dois artigos publicadoS em “El Diário Español, de São Paulo, artigos que mereceram a honra de ser reproduzido no Rio de Janeiro, no “Jornal do Comércio”, por tudo isto, julgo-me obrigado, agora a sair em defesa do direito de prioridade que assiste ao benemérito brasileiro o Padre Roberto Landell de Moura, no que tange a transmissão da palavra falada sem necessidade de fios....

Antes desse virtuosíssimo apóstolo da Religião e da Ciência, ninguém, fez algo de prático em telefonia aérea sem cabos, servindo se só de fatores aquosos, terráqueos e aéreos. O Padre Roberto Landell de Moura foi o primeiro a construir seu magnífico Telefônico, sem precisão de fios, para transmitir a voz, as notas musicais e os ruídos apenas sensíveis ao ouvido, tais como tique e tac do relógio, a grandes distâncias. A telefonia aquática e subterrânea e bem assim o Teletiton, espécie de telegrafia fonética, sem emprego de fios metálicos, são obras de imarcescível glória e a prioridade delas pertence ao referido sábio brasileiro. O Telauxionfone, a quinta-essência da telefonia com fios em virtude do vigor e da clareza com que transmite a voz articulada a grandes distâncias, os físicos europeus e norte-americanos transformaram-no num poderosíssimo auxiliar do Teatrofônio, ou seja, o Telefônio Alto-falante. Mas é de mister advertir que eles adotam um aparelho receptor da nota musical ou som articulado para cada instrumento dos que compõe a orquestra, enquanto o sábio brasileiro, deixando muito atrás os seus colegas estadunidenses só precisa de um aparelho receptor, ainda que sejam muitos os instrumentos musicais e as vozes cantantes em concerto. O mérito cresce de ponto, em se considerando que os inventores europeus e americanos dispõem de operários mecânicos inteligentíssimos e de fábricas e laboratórios onde escolher as peças que a feitura de seus mecanismos requer. O Pe. Landell tem que conceber e executar ele mesmo os aparelhos, sendo a um só tempo o sábio que inventa, o engenheiro que calcula e o operário que forja e ajusta todas as peças de complicadíssimos mecanismos.

Essa última conquista científica que, fazendo prodígios de habilidade e dando provas da mais remontada sabedoria, conseguiu alcançar o Pe. Landell constitui notabilíssimo capítulo de progressos físicos e mecânicos, capaz de eternizar o nome de seu inventor. Mas acontece que o humilde sacerdote se fecha em sua modéstia habitual em vez de dormir sobre os louros. Os poucos amigos e admiradores que tem a seu lado são capazes de compreender o sábio e avaliar o valor de seus inventos. Pe. Landell trabalha sem cessar, para honrar cientificamente a Pátria e glorificar o nome que carrega. Bem haja o grande físico-químico brasileiro, que deu ao estudo e a resolução dos mais profundos problemas físico-químicos o fruto inteiro de sua vida e aos 39 anos de idade descobre novas leis relativas a esse fluido levíssimo que enche o espaço universal enfeixando-os e ordenando-os com precisão matemática dentro de sua soberba e belíssima teoria, por ele mesmo denominada “telúrica etérea”, como resultado de seu assíduo estudo acerca da “unidade das forças físicas”. Dessas descobertas fez derivar o sábio brasileiro as surpreendentes invenções que há pouco citei, e a História desta terra um dia consagrará quando o tempo e os fatos justificarem o imenso mérito de suas obras maravilhosas. Sejam permitido, agora, consignar nestas colunas os resultados que obteve, faz seis meses, o Padre Landell, experimentando no alto de Santana, na presença do Cônsul britânico, Sr C. P. Lupton e outras muitas pessoas, diversos aparelhos de telefonia e telegrafia com e sem fios tudo como constam das várias noticias do “Jornal do Comercio do Rio de Janeiro, dos dias 10 e 16 de julho deste ano. Mas quantos e que cruéis sacrifícios de tempo, de dinheiro e de saúde custam ao Padre Landell as suas invejáveis conquistas científicas! Quantas e que amargas decepções experimentou, ao ver que o Governo e a Imprensa de seu pais em lugar de o alentarem com o aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fizeram pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos!

Se o Pe Landell houvesse nascido na Inglaterra, Alemanha ou Estados Unidos, tão logo as suas tentativas de telefonia sem fio demonstraram o bom caminho em que o sábio inventor havia colocado os termos resolutivos de seu grande problema, Governo, Imprensa, banqueiros e Povo, como sucedeu na Espanha há alguns anos com o submarino Paral, ter-se-iam apressado em prestar-lhes todo o gênero de recurso, até que chegassem a uma feliz conclusão as suas descobertas cientificas. Mas o Padre Landell é brasileiro, e do Brasil já disse o famoso naturalista Agassiz que “tudo é grande menos os homens” frase que, ao pronunciá-la eu perante ele em tom de queixa pelo esquecimento ou pouca atenção que os compatriotas prestavam a seus prodigiosos inventos, foi imediatamente contestada, com a bondade angelical que o caracteriza e com a expansão franca e cordial tão peculiar aos filhos do Rio Grande do Sul mais ou menos nestes temos:

“Não, meu amigo, não é de todo certa a apreciação do naturalista e ainda menos a aplicando no meu caso pessoal. Asseguro-lhe que não só o Brasil é grande pelas galas e riquezas que Deus lhe deu, mas também seus filhos o são. Acontece que os brasileiros, com raras exceções, não tem toda a capacidade cientifica necessária para me acompanhar nas diversas fases que reveste o estudo e a resolução dos complicados problemas que tenho nas mãos. É óbvio que aqueles que não compreendam bem uma razão cientifica não possam enquadrá-la em seu justo mérito, num tampouco aplaudir-me e ajudar-me com recursos para prosseguir no estudo e no trabalho. Com certeza, supõem que vivo sonhando entre utopias científicas de utilidade aparente. Tenho entretanto, a consoladora esperança de que em curto interstício, minhas obras cientificas brilharão como o sol do meio dia, em virtude da sorte de outros inventores que mais afortunados do que eu, irão descobrindo os meus próprios inventos concebidos e executados por minhas próprias mãos no silencio de minha pobre e reduzida oficina, onde a Ciência manda e experiência executa, antes de os sábios da Europa e da América darem forma tangível, útil e aplicação pública a obra iguais ou similares as minhas. Bem sei que, em coisas de Ciência o que avança em relação à sua época, não deve esperar justiça dos contemporâneos. O que desejo é que o fruto de meus estudos se traduza em proveito e glória de minha Pátria, e em holocausto ao Deus Supremo, que me inspira em minhas investigações e me ilumina com suas divinas luzes para penetrar e ordenar, à minha maneira, esses fatores interessantíssimos da criação, que nos ligam aos outros planetas, estabelecendo comunicação entre as esferas mais remotas e as entranhas da terra que pisamos. Só por isso, dou-me por bem recompensado das pesadas vigílias, do contínuo trabalho e das infinitas penúrias que me custam as invenções, que eu você e alguns íntimos amigos conhecem pormenorizadamente e o público somente por alto”.

Julgue o Brasil agora, seu eminente filho e avalie suas notáveis obras. Outro jornal, da capital federal, o Jornal do Comércio no dia 10 e 16 de junho de 1900, colocam duas notas registrando as experiências por ele realizadas na capital paulista. No dia 12 de outubro de 1902, na cidade de Nova York, o Jornal New York Herald, publica extensa reportagem sobre o Pe. Inventor Roberto Landell de Moura. Assim aquele que tinha sido desprezado em seu pais é agora considerado um grande sábio e inventor nos Estados Unidos.

1.7. Padre Roberto Landell de Moura de volta a sua Pátria.

Padre Roberto Landell de Moura, tendo conseguido três patentes importantíssimas, de inventos seus, resolve dar a glória destas descobertas a seu país, e continuar suas pesquisas aqui. Foram lhes oferecidas propostas de compras de suas patentes nos U.S.A. mas ele recusou. O que o Padre Landell estava escolhendo era justamente o pior caminho, pois seus patrícios, simplesmente o tacharam de louco. O que em outros países, cuidava-se com todo o esmero, pois sabiam o quanto de valor tinha, um homem sábio, aqui em nosso país o Padre Roberto Landell de Moura foi simplesmente ridicularizado. Entretanto ele soube tudo suportar, pois sabia da ignorância que existia atrás disto. Dedicou-se a outros campos de atividade, de modo especial ao caminho que havia abraçado o sacerdócio. Logo que aportou no Rio de Janeiro de regresso dos Estados Unidos, as conversas sobre a sua pessoa corriam céleres. Quando se argumentava que ele poderia falar até com a China, ficava quase certo, por parte das pessoas menos esclarecidas que ele tivesse parte como sobrenatural.Assim de imediato, redigiu um pedido ao Presidente da Republica, Dr. Rodrigues Alves, solicitando dois navios de nossa esquadra de guerra, para demonstrar aos brasileiros, seus inventos. O Presidente enviou um secretário seu para um entendimento com o Pe., pedindo a distância que desejava colocar os dois navios. Padre Landell de Moura em sua santa ingenuidade, respondeu a distância que quisessem, isto poderia ser até em alto mar. Meus aparelhos podem estabelecer comunicação com qualquer ponto da terra, até futuramente com os planetas. O enviado especial só disse a ele que comunicaria ao Presidente.Chegando ao Palácio, o simplesmente tachou de louco. E o Pe Landell recebeu a célebre resposta em um telegrama. Lamentavelmente, no momento não podemos atender o seu pedido, aguarde outra oportunidade...

Nesta época na Itália, o governo concedia toda a sua esquadra ao eletricista bolonhês. Pois sabiam da grande importância que teria este invento tanto nos tempos de paz como de guerra.Com esta resposta, o Pe Roberto Landell de Moura, ficou sem mais razões para o progresso em suas pesquisas, estava completamente desanimado, num ímpeto de extrema irritação, destruiu seus parelhos, encaixotou seus livros, cadernos e documentos, e resolveu se dedicar só ao sacerdócio. Trabalhando mais um tempo em Botucatu e Mogi das Cruzes voltando após isto a sua terra natal ficando até a sua morte.

Em um caderno de notas e escritos do Pe. Landell de Moura encontra-se a seguinte mensagem:

Quem foi que inventou a telefonia sem fio? A telefonia tanto acústica como a ondulatória e elétrica ou magnética, foi o autor destas linhas. A acústica, que consiste na transmissão da voz humana através do ar, ele a conseguiu mediante um aparelho acústico com o qual transmitia e recebia a voz humana. A luminosa mediante os raios ou a luz abundante em raios actínicos e ultravioláceos e um a propriedade do selenium por ele descoberta. A elétrica ou magnética, mediante ondas elétricas especiais por ele descobertas em seu transmissor fonomicrofone, por ele inventado e a sua lâmpada reveladora das ondas elétricas. Além dessas invenções sobre telefonia sem fio, o autor dessas linhas foi o inventor do sistema das ondas reflexas e o descobridor dos receptores baseados no magnetismo e na sinderese magnética. Tudo quanto acaba de expor poderá ser confirmado com as três patentes que lhe foram concedidas pelo Governo dos Estados Unidos as quais cobrem varias invenções. Ele também autor de muitos outros aparelhos elétricos, tais como o Edifono, o Caleofone, o Teletiton e vários outros que figuram na relação que o livro do Brasil Moderno trás, conjuntamente com o seu retrato. Assim é que o que foi Santos Dumont para navegação aérea quanto ao mais leve que o ar e mais pesado, foi o autor destas linhas para a transmissão sem fio tanto do sinal inteligente como da palavra articulada. Santo Dumont está bem, porém o seu colega contemporâneo vive esquecido porque cometeu um crime – o de querer sair da sacristia, para mostrar ao mundo que a religião nunca se opôs ao progresso da humanidade, e que o sol também passou e ainda continua a passar por estas plagas.... Tudo quanto tem feito o autor destas linhas obedece as suas teorias sobre a unidade da força e a harmonia do universo, outro muito combatida, porém hoje admitida por ele e outros mais felizes conseguirão confirmá-la com os fatos”. [28]

No ano de 1924 em uma entrevista ao Jornal Ultima Hora falou o seguinte:

“Os americanos, decorridos os 17 anos de prazo que marca a lei das patentes, puseram em execução práticas as minhas teorias. Não sou menos feliz por isso. Eu vi sempre nas minhas descobertas uma dádiva de Deus. E como além disso, sempre trabalhei para o bem da humanidade, tentando ao mesmo tempo, provar que a religião não é incompatível com a Ciência, folgo em ver hoje realizado, na prática utilitária, aquilo que foi o meu sonho de muitos dias, de muitos meses, de muitos anos.” [29]

CAPÍTULO IV

  1. - Teologia e Ciência.

Na parte final uma reflexão, sobre aquilo que o Padre Landell de Moura tanto lutou em sua vida, que foi o entrosamento ente Teologia e Ciência. O Pe. Landell estava muito adiante de sua época. Sofreu toda uma série de ataques inicialmente devido a situação política que estava adversa a Igreja, juntamente da própria Ciência, que na época se achava prepotente e finalmente da parte de alguns membros do clero e fiéis. Exemplo típico: a destruição de seu laboratório quando exercia o cargo de vigário em Campinas. Acusado de ter parte com o demônio, de espírita e tantos outros adjetivos maldosos. Pe. Roberto Landell de Moura permanecia calado, pois a ignorância de seu tempo não comportava ter um gênio de sua qualidade. E tornamos a repetir o que pensa sobre Ciência e Religião:

“Quero mostrar ao mundo que a Igreja Católica não é inimiga da Ciência e do Progresso humano. Indivíduos na Igreja podem, neste ou naquele caso, haver-se oposto a esta verdade; mas fizeram-no por cegueira. A verdadeira fé católica não o nega. Embora me tenham acusado de participar com o diabo e interrompido meus estudos pela destruição dos meus aparelhos, hei de sempre afirmar: isto é assim, e não pode ser de outro modo...”
1.1 -Noção de Ciência sob o ponto de vista Teológico.
A Teologia não pode considerar a Ciência, como um simples acontecimento que surge ao acaso na história. Algo que aconteceu que tomou corpo, mas que pode ser deixado de lado. Sabemos que além da Teologia existe uma pluralidade de fontes dos conhecimentos e experiências humanas.
O crente como tal, de modo nenhum, pode ser simples crente, mas em virtude da natureza, sua fé deve estar ligado com os outros domínios de conhecimento, e que estes por sua vez não são deduzidos da fé na revelação, se encontrando em diálogo aberto jamais fechado com a fé. Partindo da idéia que a Ciência é acessível, e que deve ser encarada com um domínio próprio, com método, etc. Para o Teólogo a Ciência é primeiramente uma disciplina que não trata de Deus. Existe aquilo que é diferente de Deus, que tem realidade própria, e que o homem tem acesso imediato. Para poder entender melhor o que acabamos de afirmar acima, vamos ver o seguinte:

Se nos é permitido fazer abstração da questão dialogal imediata entre Deus e o Homem na História da Salvação, da Revelação, dos princípios Teologais, podemos afirmar com segurança que segundo a Teologia Cristã existe um domínio que é verdadeiro e separado desta história da salvação e da Revelação, no qual Deus não intervém, porque neste domínio, ao qual chamamos de mundo da Natureza, Deus não esta presente tal com ele é. Assim qualquer conhecimento humano que se relaciona a este domínio não trata de Deus. Todo o homem de Ciência não é necessariamente um homem piedoso, pois ele é levado pelos postulados de sua disciplina, busca um fenômeno em outro fenômeno e nunca busca a salvação diretamente em Deus. O homem somente cultivará a Ciência (busca de relação legítima e universalmente valida dos fenômenos do mundo e da natureza) na medida em que se voltar não apenas mas também teoricamente, na busca da pluralidade (fenômenos e realidades diferentes), e busca da unidade desta pluralidade no interior dos limites especiais e temporais da sua própria experiência. A Ciência na maior parte das vezes se contenta, em expressar uma relação funcional, uma dominação prática da natureza. Assim a natureza por um lado emite aforismas muito exatos, sendo possível sempre a sua verificação, pretendendo assim ter um valor universal. E mais ainda deixando margem de sempre serem estes princípios aperfeiçoados. Sabemos que a Ciência, tem a origem cristã. Não queremos com isto afirmar, que em seus métodos, seus resultados, seu objeto dependa realmente do cristianismo, e nem que os cristãos tenham melhores chances para cultivá-la. Mas queremos afirmar que a historia cultural, as Ciências nasceram por pressupostos, com uma idéia do mundo, que é do cristianismo. Quer dizer que ele liberta de si o campo no qual tem que ver algo com as Ciências.

Do mesmo modo que, a Teologia não tem condições de interferir nos campos da Ciência, a Ciência não tem nenhuma competência quanto a questão da totalidade da realidade em geral, como na totalidade da existência humana. Esta duas totalidades escapam aos enunciados científicos. Esta impossibilidade se manifesta, quando queremos estabelecer o objeto. Nossa atitude espiritual, impulso, decisão previa, opção, não pode ser colocadas como objeto de sua propriedade. Assim existem experiências individuais, espirituais pessoais que não podem se objetos das Ciências e que, no entanto, são indispensáveis a justificativa de uma existência humana. Não podemos afirmar e justificar a existência humana, com bases na Ciência, além disto, a Ciência se sentiria fora de orbita querer justificar isto. Afirmar que o homem de Ciência, não pode jamais coincidir adequadamente e que a vida humana não pode nunca ser unicamente a simples aplicação eventual de conhecimentos científicos, não implica em negarmos que a Ciência como tal, possua em si mesma uma importância existencial considerável nem queremos afirmar que seja uma ocupação do homem, que possua tempo para realizá-la, sem, contudo, atingir o próprio homem em sua existência concreta.

      1. As relações entre o homem de Ciência e o Teólogo.

Sabemos que as Ciências, por si mesmas não podem existir mas elas existem como produções do homem. Nos tempos atuais, existe uma repartição do trabalho, no domínio da Ciências, um mesmo homem pode cultivar, ainda que numa medida variável, varias disciplinas. Esta autêntica pluralidade de disciplinas, diferentes umas das outras por sua origem, seu objeto confirma que não existe uma Ciência humana que queira reger positivamente todas as outras, de tal forma que estas seriam apenas servas, subordinadas as primeiras. Como já vimos ao longo desta monografia às relações da Teologia com as outras disciplinas não podem e nem devem ser concebidas desta maneira. Existe atualmente um pluralismo de disciplinas, cuja coexistência não pode em princípio transformar-se em um unitarismo e totalitarismo, dirigindo-se as Ciências de um só ponto de vista. O mesmo pluralismo que encontramos nessas disciplinas subsiste, e continua, portanto entre o homem e mesmo cada individuo. Estas dificuldades internas e externas das quais temos experiência como cristãos, de um lado e como homens de Ciência do outro em nossa vida cristã e eclesial, em nossa existência religiosa, não podemos deixar de lado de uma vez. A paciência em suportarmos, todos estes pluralismos, que nos apresentam, sem entrarmos em conflito sem soluções impostas a força e nem de um lado nem do outro faz parte da vida cristã.

Se o homem de Ciência tiver uma inteligência correta, do objeto, do método, dos pressupostos e dos limites de sua disciplina esta então pode ser considerada, como relativamente autônoma e livre frente à Teologia sem temer com isto conflitos irreparáveis entre as duas. O pluralismo ai existente nunca é eliminável devido justamente ao atual desenvolvimento, que atinge as Ciências, e que nenhum individuo pode dominar em seu domínio que lhe é próprio e durante a brevidade de sua vida, possa tratar a fundo e de primeira mão e positivamente todos os problemas ente as duas disciplinas. Deste modo Teólogos e homens de Ciência deveriam aprender a suportar com paciência os problemas, que não estão ainda bem resolvidos, e mesmo segundo as circunstâncias, a deixá-los de lado. Deveriam apreender, com confiança e paciência, a supor como coisa natural que os conflitos aparentes podem ser resolvidos e mesmo quando não vemos ainda imediatamente ou quando nós mesmo não encontramos a solução do problema.

Conclusão

Embora a pesquisa da vida e a obra do Pe. Landell de Moura foi tarefa árdua que envolveu muitas horas de trabalho, ela nos ajudou a refletir sobre um tema de grande atualidade e que deve ser refletido por todos que se desafiam ao estudo da Teologia sem deixar de lado o conhecimento da Ciência. Tivemos dificuldade de localizar o material sobre a obra do Pe. Roberto. Foi necessário a consulta aos jornais da época e os Arquivos das Paróquias aonde o Pe. Landel desenvolveu seu trabalho pastoral e suas pesquisas no campo da eletricidade e da propagação da fala e sons com fio elétrico ou sem fios elétricos. O Pe. Roberto, como inventor no final do século XIX, encontrou barreiras enormes para vencer. Mas abriu horizontes para o conhecimento humano em especial a propagação do som. Nascia assim à transmissão do som sem fio, que iria logo em seguida se transformar no Rádio. O Rádio se tornou poderoso meio de evangelização. E se abriu horizontes para que outros impulsionassem a Televisão e hoje os computadores e a Internet. A obra da evangelização e ineficaz nos dias de hoje sem a utilização destes meios de comunicação.

Permanece hoje seu testemunho que a ciência não está contra os dados da Religião e da fé, mas ambas se completam. Numa época em que a Teologia estava conturbada pelos avanços da Ciência e sem respostas para muitas interrogações Pe. Landell já tinha uma resposta. Ele tentou conciliar a Ciência e a Religião embora por causa disto sofresse ataques durante toda a sua vida. Um bom relacionamento entre o homem de Ciência e o teólogo deve existir. Sem isto não podemos viver em harmonia. E se não pudermos encontrar uma resposta pronta aos homens de Ciência, ter a humildade de esperar amadurecer nossos conceitos. Porque os conflitos aparentes entre Ciência e Religião podem ser resolvidos. É só questão de tempo.

REFERÊNCIAS


1 - BARBOSA, Pe. Manoel. A Igreja no Brasil. Notas para sua História. Rio de Janeiro: Edições e Obras Gráficas a Noite, 1945. Pág. 293.
2 - confere texto da influência que Benjamin Constant teve na organização pedagógica das Escolas Militares gaúchas e em conseqüência do futuro militares a paginas 342ss. Em VÁRIOS AUTORES. Rio Grande do Sul. Terra e Povo. Porto Alegre: Editora o Globo, 1969.
3 - COSTA, Cruz. Contribuição à história das idéias no Brasil; o desenvolvimento da filosofia no Brasil e a evolução histórica nacional. (Coleção documentos brasileiros, 86). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1956, pág.132
4 - Citação encontrada na obra de FORNARI, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro. Porto Alegre: Editora Globo, 1960, pág. 49.
5 - MACEDO, Francisco Rio-pardense, Os ingleses no Rio Grande do sul. Porto Alegre, 1975. Pág. 85.
6 - Conf. Padre nosso deu sinal antes de Marconi. São Paulo, em Visão, 6 de janeiro de 1961. Pág 43
7 - FREITAS, Elida de Druck, Castro. Padre Landell de Moura – História de um Inventor. Porto Alegre, 1961. Pág.18
8 - FORNARI, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro, Editora Globo, Porto Alegre 1960, pág. 35.
9 - Monsenhor Landell de Moura. São Leopoldo em O Seminário, 15 julho de 1928. Ano III, N 3, pág. 89-90.
10 - Monsenhor Landell de Loura. Unitas. Revista da P. Eclesiástica de Porto Alegre. Porto Alegre, maio-junho de 1928. Pág. 168.
11 - Idem pág. 168.
11 - Monsenhor Landell de Moura. Revista Unitas, Porto Alegre, maio junho de 1928. Pág.167
12 - Entrevista concedida ao extinto Jornal Ultima Hora, de 3 de novembro de 1924, entrevista motivada pela inauguração da Rádio Clube Paranaense de Curitiba.
13 - BAREA, Mons. José. Histórico da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Porto Alegre. Porto Alegre, 1941. Pág. 225 (manuscrito existente nos arquivos da Secretária da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário)
14 - BALEN, Mons. Dr. João Maria. A primeira paróquia de Porto Alegre Nossa Senhora Madre de Deus (1772-1940). Porto Alegre, 1941. P. 93-94.
15 - Conf. Unitas. Porto Alegre. N 7-8, ano III pág. 42.
16 - BALEN, Mons. Dr. João Maria. Histórico da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Porto Alegre. 1941. pág. 225 (manuscrito)
17 - idem pág. 229
18 - BAREA, Mons. José. Noticiário. Estrela do Sul. Porto Alegre. N 4 de 22 de janeiro de 1928
19 - Conf. Unitas. Porto Alegre. N 1 e 2 de 1928, pág. 19-20.
20 - Conf. Foi um Brasileiro, um Rio Grandense que Inventou a Telegrafia Sem Fio. Jornal da Manhã. Porto Alegre. 2 de julho de 1933.
21 - BAREA, Mons José. Histórico da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Porto Alegre. 1941. pág.235.
22 - Necrologia. Mons. Roberto Landell de Moura. Unitas, Porto Alegre. Maio-junho de 1928 ano XI. N 5-6. Pag. 169.
23 - Fornari, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro, Editora Globo, Porto Alegre 1960, pág 45.
24 - Fornari, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro, Editora Globo, Porto Alegre 1960, pág. 46-47
25 - Fornari, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro, Editora Globo, Porto Alegre 1960, pág 101-120.
26 - Fornari, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro, Editora Globo, Porto Alegre 1960, pág. 129-146.
27 - Fornari, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro, Editora Globo, Porto Alegre 1960, pág. 129-146.
28 - Fornari, Ernani. O Incrível Pe. Landell de Moura. História Triste de um Inventor Brasileiro, Editora Globo, Porto Alegre 1960, pág. 147-163
29 - Entrevista concedida no ano de 1924 para o Jornal Última Hora de Porto Alegre.
Hora de Porto Alegre.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/48500/1/O-PADRE-LANDELL-DE-MOURA-E-A-CIENCIA/pagina1.html#ixzz17fiS0jwq