Padre Roberto Landell de Moura - HOMEOPATA

Por: Luiz Netto

Segundo o Doutor Sabino Menna Barreto, autor desse artigo, por ser um “meio terapêutico humano e eficaz” a homeopatia era considerada simples, acabando por ser vulgarizada, perdendo seu prestígio científico. Ao mesmo tempo a Faculdade de Medicina formou médicos gaúchos, “mesmo assim, a lei que garantia a liberdade profissional no Estado atraiu uma avalanche de médicos estrangeiros”, o que aumentou o prestígio da “clínica cirúrgica”, sendo adotada amplamente. Dessa forma, a homeopatia perdeu a confiança da população. Com isso, um grupo de intelectuais resolveu organizar uma “força” capaz de convencer seus adversários. A presença na capital do ilustre Dr. Jorge Murtinho incentivou o grupo e iniciaram-se estudos da legislação sobre o ensino (Lei Orgânica de Ensino Rivadávia Corrêa, de 05.05.1911). Em 03 de janeiro de 1914 funda-se a Faculdade de Medicina Homeopática do Rio Grande do Sul. Além de Jorge Murtinho, contribuíram na iniciativa também Ignácio Capistrano Cardoso, Gen. Tourinho, Adolfo Stern, Alfredo Ludwig, Edison Fagundes, João Landell de Moura, Egídio Itaqui, Manoel Faria Correa, Euclides Goulart, Morais Chaves e o Cônego Roberto Landell de Moura, além do autor desse artigo (Sabino Menna Barreto), e de membros da Escola de Engenharia, Odontologia, Farmácia e da Imprensa de Porto Alegre e um dos mais singulares vultos do “culto clero”.

Em 03 de janeiro de 1914 funda-se a Faculdade de Medicina Homeopática do Rio Grande do Sul

A idoneidade da Faculdade conquistou a simpatia popular, registrando matrícula de mais de 100 alunos e “o governo do Estado, orientado pela doutrina de A. Comte em relação ao ensino e liberdade profissional, e tendo pleno conhecimento da honorabilidade dos componentes da nova Escola, mandou seu representante ao ato inaugural e emprestou desde logo seu apoio moral, primeiro passo para o apoio material, que jamais fora negado a empreendimentos honestos, e de finalidade sociais”. A faculdade teve como diretor presidente o Dr. Euclides Goulart Cardoso e para ministrar as “cadeiras de medicina geral” foram admitidos médicos de “faculdades oficiais” (provavelmente alopatas) no corpo docente. Porém, um “desagradável incidente entre o Diretor Presidente e um destacado [sic] membro da Diretoria” dividiu o corpo docente e então os homeopatas se retiraram. O autor explica os motivos do insucesso da Faculdade: “não fora difícil compreender logo depois, que a origem dos acontecimentos, fora apenas a palavra ‘Homeopatia’, que serviu de pretexto para a exploração. Convenceram aos alunos, que a denominação de homeopata, bastava para diminuir o médico no conceito de classe” (p. 21). Com a retirada dos homeopatas a Faculdade Homeopática deu origem a duas novas escolas de medicina, criticadas pelo autor: “Esses inimigos da Homeopatia, ficaram senhores do estabelecimento, porém não se acertaram; brigaram e a Faculdade de Homeopatia foi transformada por um grupo, em Faculdade de Ciências Médicas, e em Escola Médico Cirúrgica por outro. Ambas tiveram vida precária, não mais existem, porém... produziram médicos!” (p. 22). Tal processo levou a diminuição do espaço dado à homeopatia, que ficou restringida aos centros espíritas. Entretanto, as mudanças na terapêutica, levando a individualizar o tratamento, e considerar o “terreno” como fator principal de produção e desenvolvimento das enfermidades confirmam a homeopatia, pois “a homeopatia é a verdade, e assim, não poderá jamais deixar de respeitar as conquistas das Ciências Médicas...”.

ANAIS do 1º Congresso Sul Americano de Homeopatia. Porto Alegre, de 10 a 17 de Abril de 1944. Porto Alegre: Livraria Continente, 1945, 180 p.

* Barreto, Sabino Menna. “Resumo histórico da homeopatia no Rio Grande do Sul”, pp. 15-29.